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Explosão mata ao menos 7 em procissão xiita no Paquistão

24 nov 2012
04h05
atualizado às 09h59

Ao menos sete pessoas morreram e 22 ficaram feridas em uma explosão registrada durante uma procissão xiita no oeste do Paquistão, informou à Efe uma fonte policial. A explosão ocorreu na cidade de Dera Ismail Khan - na província de Khyber Pakhtunkhwa, situada próxima das zonas tribais, consideradas refúgios dos insurgentes talibãs - e, segundo a polícia, foi causada por uma bomba que, escondida em uma área de despejo de lixo próxima à mesquita de Karim Khan, explodiu com a passagem de uma pequena procissão.

O agente policial Akram Ali detalhou à Efe que há pelo menos quatro crianças entre os feridos, que foram transferidos a hospitais da região, e que a bomba era composta por dez quilos de explosivos. A polícia isolou o local da explosão, que ocorreu apesar de a comitiva contar com medidas extras de segurança, em vista dos ataques cometidos nos últimos dias contra os xiitas, segundo o diário paquistanês Express.

Dois atentados prévios contra a minoria xiita, no início da semana, deixaram um total de 25 mortos em Karachi (sul) e Rawalpindi. "A explosão foi potente e pode ser ouvida a quilômetros de distância", declarou à AFP Siddiq Khan, um oficial da polícia.

O grupo terrorista Talibã reivindicou a autoria do atentado. "Nós realizamos o ataque contra a comunidade xiita", disse o porta-voz Ehsanullah Ehsan à AFP por telefone. Segundo ele, o Talibã possui mais de 20 homens-bomba espalhados pelo Paquistão prontos para entrar em ação contra os xiitas. "O governo pode tomar quantas medidas de segurança quiser, mas não pode parar nossos ataques", afirmou.

Hoje é o nono dia do mês de Muharram, uma importante época festiva para a seita islâmica xiita, que representa cerca de um quinto da população paquistanesa, majoritariamente sunita. Neste sábado e domingo do Muharram, os seguidores da corrente xiita, considerada herética por alguns radicais sunitas, lembram o martírio do imã Hussein, neto de Maomé e um dos fundadores do xiismo. Os xiitas costumam comparecer a manifestações por essa celebração - denominada "ashura".

O governo paquistanês afirmou que dispôs fortes medidas de segurança para proteger as celebrações do Muharram, após obter informações de inteligência que alertavam sobre ataques terroristas contra a comunidade xiita. Na semana passada, bloqueou temporariamente as redes de telefonia móvel, por temor de que fossem utilizadas para praticar atentados à distância. Os telefones celulares permitem em alguns casos detonar à distância cargas explosivas.

Na última quarta-feira, uma série de atentados deixaram 35 mortos e deixaram dezenas de feridos no Paquistão. Os talibãs reivindicaram a maioria dos atentados, decorrentes do início, na quinta-feira, de uma reunião de cúpula de oito países muçulmanos emergentes.

Os talibãs paquistaneses, que integram a rede extremista Al-Qaeda, são os principais responsáveis pela violenta campanha de atentados, em sua maioria suicidas, que provocaram mais de 5.200 mortes no país desde 2007. As ações têm como alvos símbolos da autoridade do Estado, mas os xiitas também são alvos frequentes dos ataques.

No domingo passado, a explosão de uma bomba nas imediações de um local de culto xiita matou pelo menos três pessoas e feriu outras 14 na cidade portuária paquistanesa de Karachi. O atentado ocorreu apenas dois dias depois de as autoridades terem anunciado um reforço nas medidas de segurança para evitar a violência sectária entre a maioria sunita e a minoria xiita no início do mês de Muharram (mês do calendário lunar muçulmano).

Os xiitas representam cerca de 20% da população paquistanesa de 167 milhões de habitantes.

Com informações da EFE e da AFP

Fonte: Terra
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