O sonho da maranhense Roseana Sarney (PFL) de ser candidata a presidente se transformou em pesadelo. Alçada à virtual candidata ainda em 2001, a governadora do Maranhão surgiu como a chance de uma mulher disputar o maior posto do País.
Enquanto crescia nas pesquisas de intenção de voto, ameaçando favoritos como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a pefelista, integrante do clã Sarney, era alvo das denúncias de irregularidades na sua empresa e de seu marido, Jorge Murad.
O caso Lunus, revelado depois de uma batida da Polícia Federal à sede da empresa, em São Luis, construiu a ruína da candidatura. A Polícia Federal decobriu R$ 1,34 milhão em dinheiro no cofre do escritório e vinculou a cifra a projetos da extinta Sudam.
A investigação foi diagnosticada pelo cúpula do PFL como artimanha da ala serrista, apoiadores da candidatura do tucano e senador José Serra à Presidência, para destronar Roseana.
A governadora resistiu até abril, deu lista de nomes de doadores do dinheiro e apresentou defesa à Justiça. Seu irmão, o ex-ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, abandonou o cargo em solidariedade.
Em abril, a maranhense acordou do sonho e anunciou a desistência da pré-candidatura. O episódio provocou o rompimento do PFL com o governo de FHC. Roseana disputou uma vaga ao Senado pelo Maranhão e se elegeu com 1.314.524 votos, 32,3% dos válidos.