O governo pôde respirar mais aliviado em 2002 com a liberação de um empréstimo de US$ 30,4 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI) em agosto. Em troca, o Fundo exigiu, além do cumprimento de um superávit primário de 3,75% do PIB nos próximos três anos, o compromisso com metas inflacionárias e com um limite máximo de gastos de US$ 3 bilhões com as intervenções no câmbio a cada 30 dias.
O acordo foi revisto pelo Fundo em setembro e no dia 6 daquele mês foi confirmado. Cinco dias depois, US$ 3 bilhões foram liberados. A outra parcela de mesmo valor será liberada no final deste ano. O restante ¿ US$ 24 bilhões ¿ poderá ser usado em quatro parcelas pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva durante todo o ano de 2003.
E se havia alguma dúvida sobre as relações de Lula com o Fundo, elas começaram a se dissipar em novembro. O futuro governo petista recebeu o primeiro aval do FMI, que classificou como "prudente e apropriadas" as propostas econômicas apresentadas pela equipe de transição.
Para completar a sessão de afagos que parecia improvável há alguns anos, Lula admitiu que existem afinidades entre a visão da instituição e o programa de governo do PT. Segundo Lula, seu governo será austero em termos fiscais e preocupado com o controle da inflação. O presidente eleito ironizou, no entanto, as declarações de técnicos do FMI sobre a afinidade. "É pena que só tenham percebido isso agora, porque tudo isso já estava na campanha".