|
O sábado foi movimentado no Fórum Social Mundial. Diversas personalidades deram seus depoimentos e o dia também foi marcado por protestos pela cidade. Uma das opiniões mais importantes do sábado foi a do ministro-chefe da Casa Civil do Brasil, José Dirceu, que participou pela manhã da mesa de diálogo e controvérsia Estamos frente a uma crise econômico-financeira: em que consiste esta crise? Que alternativas existem?.
Sábado no Fórum Social
Guerra pode mudar economia
Durante a mesa, Dirceu afirmou que o atual cenário econômico e a iminência de uma guerra no Iraque a qualquer momento não permitem ao governo discutir redução de taxa de juros. Dirceu também disse que se houver uma guerra, o Brasil será fortemente prejudicado porque poderá haver de uma eventual fuga de capital, aumento dos riscos de investimentos, alta do petróleo e da desorganização econômica mundial. Porém, Dirceu ressaltou que isso pode ser prevenido (leia mais sobre declaração de Dirceu). Ao deixar o Ginásio Gigantinho, onde ocorreu a mesa, Dirceu disse que o governo preservará os programas sociais de possíveis cortes, caso a meta de superávit primário seja revista ( leia mais).
Fotógrafo fala da África
Outro destaque do dia foi o testemunho do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que fez críticas à posição de indiferença que a maior parte do mundo tem com relação aos países africanos. Salgado falou da fome, das doenças e das guerras que há décadas marcam o povo africano. "A guerra nesses países não é étnica como dizem, é uma questão econômica", concluiu. Sobre o Brasil, Salgado criticou a má distribuição de renda e sugeriu que se abra um amplo debate sobre o tema (leia mais sobre o testemunho de Salgado).
Ministra fala do Fome Zero
A ministra de Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, também participou do Fórum no sábado. Em entrevista à imprensa, ela defendeu o projeto Fome Zero e disse que o governo federal conta com um empréstimo de R$ 500 milhões do Banco Mundial para serem aplicados em diferentes projetos, sendo que entre 60% e 70% do montante será destinado à área social. Sobre o Fome Zero, Benedita disse que o governo não quer apenas um programa assistencialista. "É importante matar a fome das pessoas, mas também fazer com que ela possa manter sua família". Ela também rebateu as críticas ao projeto que dizem que ele é confuso e mal formulado dizendo que o Fome Zero vai se ajustando aos poucos. "Nada é perfeito", alegou (confira mais detalhes da declaração de Benedita). Benedita também criticou a dificuldade de inclusão das populações negras e indígenas no processo de desenvolvimento social (leia mais).
Os estrangeiros do dia
Dois destaques estrangeiros do Fórum no sábado foram o físico austríaco Fritjof Capra e o sociólogo e jurista português Boaventura de Sousa Santos. Capra, autor do célebre livro O Tao da Física e um dos mais renomados representantes do pensamento ecológico e sistêmico da atualidade, foi ao FSM à convite das entidades ambientalistas do Rio Grande do Sul para apresentar seu trabalho de Alfabetização Ecológica desenvolvido no Center for Ecoliteracy, entidade fundada em 1995, nos EUA. (leia mais). Já Boaventura disse que as cidades devem ser o laboratório para a implementação do pacto social proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse processo, para Boaventura, deve começar na esfera urbana. O sociólogo da Universidade de Coimbra também elogiou a criação do Ministério das Cidades (mais sobre depoimento de Boaventura).
Dia de manifestações
Os protestos e manifestações também marcaram o sábado do Fórum. A Associação Gaúcha de Proteção a Natureza (Agapan) apresentou a Carta de Porto Alegre, que traduz a percepção das entidades ecológicas do Rio Grande do Sul sobre a questão ambiental no mundo (leia mais).
A conferência Fundamentalismos e Intolerâncias não ficou só nos debates. O encontro virou uma grande manifestação a favor da Palestina, bem como da desocupação dos territórios tomados por Israel. O palestino Raji Surani mandou um recado a Israel, aos Eua e à Europa, dizendo que "nós não seremos derrotados". O público gritava: "Liberdade à Palestina" (mais ).
O manifesto mais inusitado do dia foi o promovido pelos ativistas do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Eles tomaram banho e molharam os transeuntes do prédio 40 da PUCRS (uma das sedes do Fórum) com mangueira para mostrar sua resistência à privatização da água na Ásia e na América Latina. Os manifestantes, em ritmo de carnaval, gritavam "água para todos" (mais sobre o manifesto).
Domingo no Fórum Social
O domingo do Fórum Social Mundial teve dois momentos marcantes. O primeiro foi a passagem por Porto alegre do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O outro grande evento foi a conferência Paz e Valores, que teve como principais oradores o escritor uruguaio Eduardo Galeano e o ex-frei brasileiro Leonardo Boff.
Visita de Chávez
O presidente Hugo Chávez chegou a Porto Alegre um pouco antes do meio-dia. Ele disse hoje que o Fórum Social Mundial é o acontecimento político mais importante do mundo de hoje por ser um protesto contra o neoliberalismo (leia mais). Mesmo sem ser um convidado oficial do Fórum, Chávez conversou com intelectuais que participaram do Fórum, se encontrou com o governador do Estado, Germano Rigotto, discursou na Assembléia Legislativa e participou de um ato de solidariedade à Venezuela (leia mais).
Conferência concorrida
Milhares de pessoas tentaram conferir a conferência Paz e Valores, que teve como oradores o escritor uruguaio Eduardo Galeano, o ex-frei brasileiro Leonardo Boff, a pesquisadora indiana Radha Kumar e o escritor e ex-deputado suíço Jean Zigler. O Ginásio Gigantinho, onde ocorreu o evento, não teve capacidade suficiente para todas as pessoas que tentaram entrar. Entre 30 mil e 40 mil pessoas tentaram acompanhar a conferência , mas o ginásio só tem espaço para 15 mil pessoas. Quem conseguiu ver de perto a conferência se emocionou com as idéias dos participantes. No final, o ex-frei Boff emocionou a todos ao comandar a oração de São Francisco. (leia mais).
Torta na cara
Outro ponto marcante do dia foi a manifestação contra o presidente do PT, José Genoino. Durante uma entrevista coletiva, Genoino foi atacado com uma torta. O protesto foi do auto-intitulado grupo Associação Internacional Confeiteiros Sem Fronteiras. A agressão ocorreu no momento em que Genoino elogiava o êxito do discurso de Lula em Davos (leia mais sobre a agressão).
Idéia para meio-ambiente
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, reafirmou no domingo que as propostas de colaboração internacional devem seguir os interesses brasileiros (leia). A ministra também concedeu uma entrevista ao Terra (leia entrevista na íntegra).
Astro de Hollywood
O ator Danny Glover, que participa segunda-feira do Fórum, concedeu entrevista no domingo. O parceiro de Mel Gibson em Máquina Mortífera disse que Hollywood ajuda a deixar o mundo mais globalizado (leia mais).
|