| Reuters |
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| Cerca de 100 mil pessoas participaram da marcha de encerramento do 3º FSM |
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O 3º Fórum Social Mundial terminou com uma grande marcha por Porto Alegre, local que foi sede das três primeiras edições do evento. A "Marcha contra a Alca e a Guerra e pela Paz" reuniu cerca de 30 mil pessoas que se locomoveram do Ginásio Gigantinho, onde houve a última conferência do Fórum, que contou com palestra do lingüista norte-americano Noam Chomsky, passaram pelo Anfiteatro Pôr-do-Sol e seguiram até o Largo da Epatur, chamado no evento de Praça Zumbi dos Palmares, em um percurso de cerca de 10 quilômetros. A Agência Brasil havia citado anteriormente que o número de pessoas havia chegado a 100 mil. A organização do Fórum, sem citar números, estima que a quantidade ultrapassou as 30 mil pessoas.
A Avenida Borges de Medeiros, uma das maiores de Porto Alegre, ficou totalmente ocupada por manifestantes na marcha de encerramento do Fórum. Essa é a segunda vez em menos de uma semana que isso se repete, já que os manifestantes passaram pela avenida na marcha de abertura. A maior ala da caminhada foi a da Via Campesina, que reúne movimento de trabalhadores rurais de diversos países, entre os quais o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), presente com faixas pedindo reforma agrária e contrárias a Alca.
Ao longo do percurso, diversas manifestações artísticas foram feitas pela paz e pela inclusão social. Uma delas foi do grupo Bonecos pela Paz, em que os bonecos, manipulados por manifestantes, faziam mímicas, sinalizando gestos de paz. Uma drag queen ficou caída no meio do asfalto com maquiagem em vermelho para dizer que "a discriminação mata".
Muitos brasileiros, durante a marcha, aderiram à delegação venezuelana em um ato de solidariedade ao presidente Hugo Chávez. O embaixador da Venezuela, Vladimir Villegas, disse que estava emocionado e estimulado com a manifestação de apoio do povo brasileiro. Ele acrescentou que "esse apoio é solidário, é muito coerente com a linguagem utilizada no Fórum Social Mundial, que também coincide com os discursos e os sonhos do presidente Chávez e do povo venezuelano por uma sociedade mais justa". Villegas afirmou que o ato de apoio a Hugo Chávez, realizado no domingo (26) em Porto Alegre, foi transmitido pela TV pública venezuelana e teve forte repercussão em seu país.
O Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Perez Esquivel, também participou da caminhada, integrando a delegação argentina. Acompanhado de Nora Cortinna, líder das mães da Praça de Maio, Esquivel carregou uma faixa com a inscrição "Auto-convocatória - Não à Alca - Outra integração da América é possível". O escritor disse que fez todo o percurso por acreditar que a caminhada era um simbolismo da força que tem o Fórum Social Mundial como uma manifestação de todo o povo. "Significa que a caminhada continua", disse ele.
Quando os primeiros manifestantes da marcha chegaram à Praça Zumbi dos Palmares, uma imensa bandeira do Brasil foi estendida no chão. Outras bandeiras de diversos países também estiveram presentes, juntamente com símbolos de suas facções ideológicas. A Brigada Militar do Rio Grande do Sul, responsável pela segurança durante a marcha, informou que 320 homens participaram da operação e que ao longo do trajeto da marcha, cerca de 30 mil pessoas estiveram presentes.
Artistas de diversas nacionalidades entoaram canções de protesto em um carro de som localizado na praça enquanto aguardavam militantes que ainda faziam a marcha. Representantes de vários países, como Brasil, África, Estados Unidos, Venezuela, México, Europa, Cuba, discursaram no evento.
O encerramento oficial do Fórum foi feito por Francisco Whitaker, do Comitê Organizador. Ele fez um pequeno discurso com uma síntese dos números e das atividades desenvolvidas, e decretou o final do Fórum. Em 2004, O Fórum Social será realizado na Índia e em 2005, o evento volta a Porto Alegre.
Números do 3º Fórum Social Mundial
O Fórum Social Mundial 2003, realizado de 23 a 27 de janeiro, reuniu cerca de 100 mil participantes entre delegados, observadores, profissionais de imprensa e ativistas de todo o mundo. A organização registrou um total de 20.763 delegados, representando 5.717 organizações de 156 países.
Foram realizadas 1286 oficinas no Fórum Social Mundial 2003 e 650 pessoas se cadastraram como voluntários.
O Acampamento da Juventude, ponto de encontro que organizou shows e outras atividades próprias, abrigou cerca de 25 mil pessoas, das quais mais de 19 mil foram credenciadas como representantes de cerca de 700 coletivos.
A organização do Fórum Social 2003 teve um custo direto total de US$ 3,485 milhões, fora os custos indiretos com pessoal e hospedagem de conferencistas assumidos pela Prefeitura de Porto Alegre.
Já o volume de dinheiro gerado pelo evento foi maior. Os organizadores calculam que os 100 mil participantes movimentaram, no mínimo, US$ 20 milhões, entre despesas de transporte, hospedagem e alimentação. Pelos cálculos de alguns órgãos de imprensa, este montante poderia chegar a US$ 50 milhões.
Foram credenciados pela organização para a cobertura do evento 4.094 jornalistas de 1.423 veículos, de 51 países do mundo. Deste total 3.262 vieram representando veículos de imprensa, rádio ou tevê e 832 como jornalistas free-lancers. Dos 51 países participantes, o Brasil, por ser a sede, enviou o maior número de representantes. Foram 2.131 jornalistas brasileiros que representaram 808 veículos. A imprensa italiana foi a segunda mais numerosa, com 153 jornalistas representando 83 veículos. A seguir vêm Argentina (141 jornalistas de 73 veículos) e França (153 jornalistas de 74 veículos). A delegação norte-americana enviou 97 jornalistas, mesmo número da delegação de jornalistas uruguaias, mas com maior número de veículos: 53 contra 42 do Uruguai.
com Agência Brasil
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