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Fórum Social Mundial
Veja como foi a visita de Lula ao Fórum Social
 
Danilo Fantinel e Márcio Brodt
 
Reuters
Lula em discurso no FSM
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se na sexta-feira o primeiro presidente da República a visitar o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Desde 2001, quando o evento começou a ser realizado, nenhum chefe de Estado havia ainda participado. Em Porto Alegre, Lula fez um de seus discursos mais emocionados desde que assumiu a Presidência.

Lula foi ovacionado durante seu discurso de 40 minutos no Pôr do Sol, um teatro ao ar livre às margens do rio Guaíba. Antes de chegar ao FSM, Lula sofria críticas por sua participação no Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) e temia-se que o presidente enfrentaria protestos no Rio Grande do Sul.

Café da manhã com menino pobre e com prefeito

O presidente chegou a Porto Alegre na noite de quinta-feira, mas a programação oficial só começou na sexta. Lula tomou café-da-manhã com o prefeito de Porto Alegre, João Verle (PT), e com o Daniel Bastos, de 16 anos, aluno do Programa de Ação Integrada da Criança e do Adolescente em Situação de Rua. Daniel é menino de rua e foi beneficiado por um programa da prefeitura. Leia mais sobre o encontro e veja fotos.

Verle discutiu com Lula alguns projetos, principalmente nas áreas de educação e saúde, e ofereceu os programas de Porto Alegre ao Fome Zero. Lula disse que pretende adotar programas voltados à educação e à alimentação que tenham sido instalados por prefeituras e que tenham obtido sucesso e que os projetos de Porto Alegre serão avaliados pela equipe ministerial envolvida com o Progama Fome Zero, e, se aprovados, serão incluídos neste que é o principal projeto social do governo Lula. Logo após o café-da-manhã, o presidente teve uma reunião com representantes do Comitê Internacional do FSM.

Presidente promete a governador reforma tributária

A tarde de Lula em Porto Alegre começou com um almoço no Palácio Piratini, oferecido pelo governador do RS, Germano Rigotto (PMDB). Na reunião, que contou também com deputados, secretários de Estado do RS, ministros e outras lideranças partidárias, o presidente confirmou que, no que depender dele, a reforma tributária sairá ainda neste ano.

Conforme o prota-voz da presidência, André Singer, Lula disse ao governador gaúcho que o projeto deve ser encaminhado ao Congresso no segundo semestre de 2003. Na reunião, Lula disse que serão necessários os apoios de deputados, governadores, empresário e líderes sindicais para a reforma dar certo. Leia mais sobre o encontro com Rigotto.

Após o almoço, Lula se encontrou com o ex-primeiro-ministro português Mário Soares. Antes do encontro, Soares declarou que não daria conselhos a Lula, já que o presidente brasileiro "deu provas de que sabe o que quer". Soares disse também que o Brasil, com Lula, já está seguindo um caminho diferente. Depois de se encontrar com Soares, Lula se dirigiu ao Anfiteatro Pôr-do-Sol, onde fez seu discurso no FSM. Leia mais sobre o encontro com Mário Soares.

O discurso no Pôr do Sol

Em seu discurso no Fórum Social Mundial (FSM), Lula afirmou que não foi eleito por um canal de televisão, pelo sistema financeiro nem pelos grandes grupos econômicos. Lula disse que foi eleito pelo alto grau de consciência política dos brasileiros em outubro. Foi nesse clima de justificativa a sua ida a Davos, Suíça, que o presidente discursou. "Se não fosse por vocês do FSM, eu não teria sido convidado a ir a Davos", disse Lula.

Seguindo falando sobre Davos para uma multidão de milhares de pessoas, Lula disse que quando recebeu o convite do FEM pensou se aceitava ou não. Ele disse que "não é em qualquer dia ou qualquer século que um torneiro mecânico é eleito presidente", por isso decidiu ir. Na quinta-feira, Lula emitiu uma nota oficial comentando pela primeira vez sua ida a Davos. Na nota, ele dizia irá a Davos para mostrar que um outro mundo é possível. Conforme a nota, "Davos precisa ouvir Porto Alegre".

Sobre o que irá falar na Suíça, o presidente afirmou: "Quero dizer em Davos, que não é possível continuar uma ordem econômica em que uns comem cinco vezes por dia e outros ficam cinco dias sem comer", disse. "As crianças negras da África têm tanto direito de comer quanto às crianças de olhos azuis dos países nórdicos", completou.

O presidente também afirmou que quer fazer "o governo mais honesto que já houve na história desse País". Neste aspecto, Lula citou os ex-presidentes Fernando Collor (Brasil), Carlos Menem (Argentina), Alberto Fujimori (Peru) e Carlos Salinas (México) como exemplos de "verdadeira roubalheira".

Para fazer um governo exemplar, o presidente disse que não tem o direito de errar. Lula também disse que seu governo não representa a esperança apenas para os brasileiros, mas sim para a esquerda de toda a América Latina.

"Eu não vou errar e vou fazer um governo voltado para os pobres desse País", disse, completando que quer que o país que tenha a mais perfeita relação com a sociedade. Lula disse que vai cumprir cada palavra do seu programa de governo e que irá encerrar seu mandato mostrando com dados o que foi feito para melhorar o País.

Sobre o FSM, o presidente afirmou que é preciso não deixar o Fórum virar um partido ou ser usado por alguém. Lula disse que falou com a organização antes do início do evento e que ele sido considerado o "anfitrião" do evento. Para Lula, o Fórum de Davos é hoje muito mais fraco do que era antes, devido ao Fórum Social Mundial. Lula disse que a imprensa, que inicialmente havia tratado o Fórum de Porto Alegre como "um evento de malucos", hoje o respeita e o trata como o maior evento da história contemporânea. Direcionado à organização do evento, Lula disse "pelo amor de Deus, não desistam, vocês conseguiram fazer em apenas três anos uma das coisas mais extraordinárias dos últimos tempos". Confira a fotos do discurso e a íntegra em vídeo


 

Redação Terra