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A ativista antiglobalização Susan George, uma das mais reconhecidas líderes do movimento que deu origem ao Fórum Social Mundial e autora de livros como O relatório Lugano, afirma que o Fórum é "a onda do futuro".
Em entrevista à agência AFP, Susan disse que o desafio principal da terceira edição do FSM é consolidar as estratégias para pôr em prática o pensamento antineoliberal. Ela considerou também que esgotou o tempo para criar um vínculo com o Fórum Econômico Mundial de Davos, cujas idéias se opõem ao FSM.
Nascida nos Estados Unidos e nacionalizada francesa, Susan George é diretora do Instituto Transnacional de Pesquisa de Relações Norte-Sul, de Amasterdã, e vice-presidente da Attac (Associação a favor de um Imposto às Transações Financeiras).
Se a primera edição do FSM foi seu lançamento e a segunda a consolidação, que pode representar esta terceira que começa agora?
O primeiro FSM foi dedicado a analisar a situação mundial, o segundo a fazer propostas para mudar essa situação e o terceiro teoricamente será dedicado às estratégias para pôr em prática estas mudanças de maneira efetiva. São esperadas 100 mil pessoas ou delegados que representarão milhões, de modo que praticamente pode-se dizer que o FSM está se convertendo na corrente mais importante de opinião, e que nossas idéias agora são certamente parte do debate. Milhares de organizações estarão representadas. Ele não pode ser considerado de nenhuma maneira um evento marginal, e cada vez mais as pessoas têm que reconhecer, queiram ou não, que representa a onda do futuro.
Quais serão as principais preocupações deste terceiro Fórum?
Para mim o aspecto mais urgente é a Organização Mundial do Comércio (OMC), que terá outra reunião em setembro, mas, se perguntar a outras pessoas, terá diferentes respostas.
Quais são as principais conquistas do Fórum?
Recolher idéias para a agenda, trazer gente de diversas origens, nacionalidades, profissões etc, todos reconhecendo que estão numa luta comum. O fato de que esta luta ocorre através de uma enorme rede, não através de algum tipo de sistema de comando e controle, me parece imensamente importante. Este é um animal político inteiramente novo.
É necessário encontrar formas para pôr em prática essas propostas? Se for, quais poderiam ser?
Sim, precisamos consolidar e implementar. Essa é a questão. Estratégias e táticas. Creio que a resposta emergirá cada vez mais do debate, mas creio que as pessoas concordam que todo este movimento não deve se converter em uma série de partidos políticos, o que na minha opinião seria um drástico erro.
Pode ser útil uma conexão entre o Fórum de Porto Alegre e o Fórum de Davos, tentada nas outras duas edições?
Francamente, creio que o tempo se esgotou. Davos não veio com idéia nova nos últimos dez anos, e tampouco fez qualquer autoexame ou autocrítica. Sabemos perfeitamente bem não só o que pensam, mas também quais são seus interesses e como vão agir em defesa desses interesses. Então, por que procurar um vínculo? Por que nos preocuparmos? Seria interessante se nos dissessem a verdade sobre como trabalham, como influem sobre os governos, seria divertido conhecer os detalhes, mas tudo o que se poderia obter com uma conexão seria ideologia.
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