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Uma das maiores preocupações da Unesco (Oraganização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para esse início de milênio é a compreensão e busca de formas para superar a violência nas escolas. Para isso, a representação da entidade no Brasil, em parceria com ONGs, governos e universidades, vem conduzindo pesquisas, promovendo debates e publicando documentos para aprofundar o conhecimento e refletir sobre as várias formas de violência escolar. Nesta busca, a Unesco decretou o ano de 2000 como o Ano internacional por uma Cultura de Paz.
A coordenadora de desenvolvimento social, projetos transdisciplinares e do programa cultura de paz da Unesco, Marlova Jovchelovitch Noleto, esteve em Porto Alegre durante o Fórum Mundial de Educação mediando o seminário Violência nas escolas e estratégias de superação.
Em entrevista ao Portal Terra após o seminário, Marlova mostrou o motivo pelo qual a Unesco passou a ter um olhar mais profundo em relação aos jovens e como a cultura de paz pode tentar acabar com a violência.
Por que a Unesco decidiu se voltar para o jovem?
Pela constatação de que se você fizer um corte de análise dos últimos 20 anos da política social brasileira, você vai perceber que nunca houve uma política para a juventude. Você trabalha com criança, trabalha com família, mas nunca se privilegiou a juventude como um público alvo destinatário das políticas públicas. Nós acreditamos que com o agravamento da crise social, o jovem precisa cada vez mais ser alvo da política pública. Você precisa ter políticas específicas destinadas ao jovem. E nós, com a série de pesquisas que realizamos, fizemos a ligação entre juventude, violência e cidadania e passamos a trabalhar nessa área.
Por que a escola ficou tão violenta?
Essa apresentação feita pela professora Miriam Abramovay (leia a entrevista com Miriam), que inclusive foi a autora do livro Violência nas escolas que mostra como a violência se banalizou e chegou inclusive dentro da escola. A violência ultrapassa o muro escolar e está dentro da escola quer seja na forma de agressão entre alunos, agressão aos professores, do tráfico de drogas, do consumo de drogas dentro da escola. E a violência se banalizou.
Como embutir a cultura de paz nas pessoas para acabar com a violência?
Essa é um desafio porque a cultura de paz é um processo de médio e longo prazo. Você precisa trabalhar por ela. Não é um processo passivo. A humanidade precisa se esforçar para construir uma cultura de paz. E cultura de paz se constrói basicamente com valores. Você precisa transmitir valores, estimular a tolerância, a pluralidade, o respeito à diversidade para construir uma cultura de paz.
Como a Unesco trabalha para pôr em prática seus projetos?
Na questão da cultura de paz, nossas parcerias são os governos estaduais, no caso a Bahia, o Rio de Janeiro, Pernambuco, onde auxiliamos a execução e implementação de projetos.
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