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Guerra no Iraque
Segunda, 7 de abril de 2003, 18h29 
Exilados iraquianos formam milícia para ajudar EUA
 
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O Congresso Nacional Iraquiano (CNI), um grupo de oposição no exílio, enviou cerca de 700 combatentes ao sul do Iraque para ajudar as tropas anglo-americanas no relacionamento com a população local. Com isso, a entidade espera assegurar sua influência no eventual governo pós-Saddam Hussein.

O embarque desse contingente, organizado pelos militares dos EUA, foi feito no fim-de-semana. O líder do CNI, Ahmad Chalabi, acompanha as autodenominadas Forças Iraquianas Livres. Ele está em Nassiriya negociando com chefes locais, disseram fontes do órgão que ele comanda.

Para Shibley Telhami, especialista em Oriente Médio do Brookings Institution, o envio da milícia do CNI reflete a ascendência desse grupo sobre o Pentágono e praticamente garante que o movimento de oposição no exílio obtenha um papel importante no futuro governo do país. Para Telhami, a participação de Chalabi é parte da estratégia política dos setores mais conservadores de Washington, mas desagrada à CIA e ao Departamento de Estado, que duvidam da influência dele dentro do Iraque.

Fontes do CNI dizem que o Departamento de Estado secretamente se opõe à instauração da democracia no Iraque por temer que isso provoque turbulências no vizinho reino da Arábia Saudita, um antigo aliado dos EUA. Eles acham também que o Departamento de Estado não vê com bons olhos o compromisso do CNI com um Estado federal, já que isso manteria a autonomia dos curdos no norte do Iraque e iria contra os interesses de outro aliado dos EUA, a Turquia, que reprime o movimento separatista de seus próprios curdos.

O Departamento de Estado nega as interpretações, mas, de fato, vem indicando que gostaria de colocar tecnocratas iraquianos exilados em cargos da administração, ao invés de privilegiar Chalabi e seu grupo. No domingo, o subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz disse que os Estados Unidos não pretendem colocar um grupo em particular no governo do Iraque. "É preciso haver uma escolha dos iraquianos", afirmou.

Telhami acha que a opinião do Departamento de Estado sobre Chalabi foi influenciada pela posição de vários países árabes que nunca o trataram como um líder confiável. Nascido em 1945 numa rica família xiita, Chalabi fugiu do Iraque em 1958, quando a monarquia foi derrubada. Esse ex-banqueiro fugiu da Jordânia em 1989, antes de ser julgado por enriquecimento ilícito. Ele acabou sendo condenado a 22 anos de prisão.

Junto com outros dissidentes importantes, Chalabi passou várias semanas no Curdistão iraquiano, uma região fora do controle de Bagdá, antes de ir para o sul. Um dirigente do CNI disse que a viagem de Chalabi a Nassiriya aconteceu após várias semanas de negociações entre o grupo e o comando militar dos EUA na região. Um representante do CNI, Intifad Qanbar, está instalado no quartel-general dos EUA, no Catar, servindo de oficial de ligação.

Qanbar disse que o deslocamento dos dissidentes para o Iraque está ajudando a manter a ordem nas regiões já controladas pelas tropas anglo-americanas, já que os exilados têm, naturalmente, mais condições de lidar com a população local. "Os norte-americanos precisam de algum tipo de ponte", afirmou. O deslocamento dessa milícia também tem objetivo político, já que diminui a impressão de que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha estão agindo sem nenhuma participação de iraquianos.
 

Reuters

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