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Guerra no Iraque
Quinta, 3 de abril de 2003, 23h25 
EUA: Iraque enfrenta dilema sobre armas químicas
 
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O Iraque não usou armas químicas, apesar do temor dos Estados Unidos de que seriam lançadas assim que as tropas norte-americanas se aproximassem de Bagdá, fazendo com que o secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, especulasse a respeito da possibilidade de os iraquianos estarem se contendo, na esperança de obter um acordo de paz.

Funcionários do departamento de Defesa e analistas acham que, se os iraquianos não estão usando armas químicas, isso é porque o sistema de comando e controle militar está desmantelado e os oficias em campo estão se recusando a cumprir ordens.

Segundo analistas, talvez o Iraque não esteja usando essas armas porque não as tem - como declarou antes de começar a guerra liderada pelos EUA, cujo objetivo declarado era retirar esse tipo de armamento do país.

"Talvez a questão real seja que eles não as tenham. É uma possibilidade - talvez muito tênue, mas existe. Afinal, não achamos nenhuma arma biológica ou química", disse Charles Pena, análise de defesa do instituto Cato.

"Também pode ser que o presidente Saddam Hussein as tenha enterrado tão profundamente, para impedir que os inspetores da ONU as encontrassem, que agora é difícil recuperá-las a tempo de ser usadas no conflito", Pena concluiu.

Uma das principais justificativas da guerra, exposta pelo presidente norte-americano, George W. Bush, era tirar das mãos de Saddam os vastos estoques de armas químicas e biológicas que ele acusa o Iraque de possuir.

O Pentágono citou informações de inteligência de que a liderança iraquiana teria autorizado o uso de armas químicas assim que as forças de invasão chegassem a Bagdá.

"Nem é preciso dizer que a última coisa que qualquer pessoa gostaria de ver nesse conflito é o uso de armas químicas", Rumsfeld declarou em um briefing do Pentágono. "Sempre acreditamos que o risco de serem usadas aumenta à medida que nos aproximamos de Bagdá."

Mas soldados e fuzileiros navais norte-americanos chegaram aos subúrbios de Bagdá na quinta-feira, e nenhuma arma química foi usada.

Rumsfeld especulou sobre a idéia de que a liderança iraquiana pode ter dúvidas quanto ao uso de seu suposto arsenal de armas químicas que, segundo analistas, podem conter estoques de gases VX, sarin e mostarda, entre outros venenosos.

"Suspeito que o regime esteja enfrentando um dilema", disse Rumsfeld. "Se, por um lado, tiverem esperanças de fazer algum tipo de acordo, essa possibilidade acabaria com o uso de armas químicas." Rumsfeld eliminou a possibilidade de fazer qualquer tipo de acordo com o governo de Saddam.

Riscos ainda existem

O major-general Stanley McChrystal, diretor-adjunto de operações do Estado-Maior, deu várias explicações possíveis por que as supostas armas químicas podem não ter sido usadas.

"Não temos certeza se nossa força de dissuasão funcionou, não temos certeza se nossa destruição do sistema de comando e controle o deteve, pode ser uma decisão consciente - não dá para saber. Neste ponto, ainda achamos que existem riscos", disse, afirmando ainda que os soldados norte-americanos tomarão suas precauções.

McChrystal disse que os EUA mandaram mensagens ao Iraque de que qualquer pessoa que usasse tais armas seria tratada como criminosa de guerra. Afirmou ainda que as forças norte-americanas haviam se esforçado para destruir equipamentos que poderiam servir para o transporte de tais armas.

Funcionários do governo dos EUA disseram que forças especiais estão buscando os estoques de armas químicas e biológicas que o Iraque teria mas que, até agora, não encontraram nada.
 

Reuters

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