| Reuters |
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| Homem chora a morte da família no bombardeio a Al-Hilla |
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As autoridades iraquianas informaram hoje que dezenas de civis morreram e centenas ficaram feridos durante os últimos bombardeios anglo-americanos contra Bagdá e cidades ao sul da capital. O porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em Bagdá, Roland Huguen-Benjamin, qualificou de "horror" o bombardeio da manhã de hoje contra a cidade de Al-Hilla, na província da Babilônia (80 quilômetros ao sul de Bagdá) onde pelo menos 33 pessoas morreram.
De acordo com o diretor do hospital da cidade, 33 civis, entre eles 9 crianças, morreram e outros 310 ficaram feridos por causa dos ataques. De acordo com um jornalista da AFP, nos locais atingidos, dezenas de restos do que pareciam ser bombas de fragmentação equipadas com pequenos pára-quedas estavam espalhados pelo chão.
Perto de Al-Hilla, situada nas imediações das ruínas da antiga Babilônia, 15 membros de uma mesma família morreram ontem quando a caminhonete em que viajavam foi atingida por um míssil lançado por um helicóptero Apache. O único sobrevivente, Razek Al-Kazem Al-Khafaj, perdeu a mulher, seis filhos, o pai, a mãe, três irmãos e três cunhadas.
Em Bagdá, o ministro da informação iraquiano, Mohammad Said Al-Sahhaf, informou que 18 iraquianos morreram e mais de 100 ficaram feridos desde a noite de ontem. Estas perdas se somam às mortes de sete mulheres e crianças iraquianas, vítimas de disparos norte-americanos num posto de controle perto de Najaf (150 quilômetros ao sul de Bagdá), controlado por soldados da 3ª divisão de infantaria (3ID) norte-americana.
O ministro iraquiano da informação acusou ainda a aviação norte-americana de ter atacado dois ônibus na estrada entre Bagdá e Amã ontem. Os dois veículos transportavam passageiros civis, incluindo norte-americanos, que se apresentaram como escudos humanos para defender locais civis no Iraque. Sahhaf acrescentou que alguns deles ficaram feridos e estão hospitalizados em Rutbah, pequena cidade próxima à fronteira com a Jordânia.
Pêsames
A Casa Branca lamentou hoje a morte de civis como conseqüência da invasão do Iraque e expressou sua confiança de que o povo iraquiano está cada vez mais a seu lado à medida que as tropas aliadas avançam. "O presidente (George W. Bush) sempre lamenta a perda de vidas inocentes", disse o porta-voz da Presidência, Ari Fleischer, referindo-se ao crescente número de civis mortos em decorrência dos bombardeios aéreos e das ações das tropas terrestres.
O Pentágono apresentou "pêsames" às famílias dos civis iraquianos mortos na véspera por tiros de soldados americanos, durante uma blitz perto de Najaf. A morte de dez mulheres e crianças iraquianas, vítimas de tiros americanos, quando o veículo em que viajavam se aproximava de um posto de controle perto de Najaf (150 km ao sul de Bagdá), despertou viva reação em todo o mundo.
O jornal The Washington Post publicou hoje, em sua primeira página, o testemunho de um de seus jornalistas incorporados às tropas americanas, relatando a morte das dez pessoas pelos disparos dos soldados dos Estados Unidos quando a caminhonete na qual viajavam se aproximava de um posto de controle perto de Nayaf. "Cessar-fogo! Gritou o capitão Ronny Johnson pelo seu rádio. Então, no cruzamento na estrada 9 ao olhar através de seus binóculos, o chefe da seção gritou: Acabamos de matar uma família porque não foi disparado um tiro de aviso suficientemente rápido!", descreve o jornalista do "Post".
Esta versão contradiz a que foi dada pelo Comando Central das forças anglo-americanas em Doha, que garante que o incidente aconteceu porque a caminhonete não parou após os dois disparos de advertência.
O ministro iraquiano de Informação, Mohamed Said Al-Sahhaf, aproveitou o momento e acusou os Estados Unidos de atacarem ontem dois ônibus que transportavam escudos humanos voluntários. De acordo com ele, os veículos transportavam ativistas de defesa da paz norte-americanos e europeus da Jordânia para Bagdá. Várias pessoas ficaram feridas. Sahhaf afirmou que os feridos estavam sendo tratados em um hospital perto da fronteira jordaniana. Ele não deu detalhes sobre os feridos.
Cerco a Bagdá
Os últimos relatórios do campo de batalha indicam que o combate avançou até a cidade de Hindiya, situada a 80 quilômetros de Bagdá. Repórteres da agência de notícias Associated Press em Hindyia disseram que soldados americanos da 3ª Divisão de Infantaria (a mais pesada das três principais unidades americanas que estão se dirigindo ao norte) entraram na cidade e encontraram forças iraquianas em roupas civis usando táticas de guerrilha para se aproximar de tropas americanas por terra e com carros.
Foram feitos alguns prisioneiros, que disseram ser da divisão Nabucodonosor Guarda Republicana, uma divisão de infantaria normalmente associada com a cidade natal de Saddam Hussein, Tikrit, situada ao norte de Bagdá.
A ênfase foi colocada no uso do poder aéreo. Aviões americanos e britânicos e helicópteros Apache americanos, assim como a artilharia de longo alcance, foram usados para atacar a Guarda Republicana que defende Bagdá ao sul. Acredita-se que há quatro divisões da Guarda Republicana ao redor da capital.
As duas outras principais unidades americanas são a 101ª Divisão Aerotransportada e a 1ª Divisão de Fuzileiros Navais americanos. A divisão aerotransportada está posicionada ao redor de Karbala e tem um número razoável de helicópteros, mas não tem armas pesadas. Há conversas entre os estrategistas que indicam que a principal ofensiva americana em direção a Bagdá venha através do chamado "vácuo de Karbala", entre o Eufrates e um grande lago localizado a oeste. Isso os traria para o lado sudoeste da capital. Os verdadeiros problemas devem começar quando eles chegarem lá.
Bombardeios pelo ar e confrontos por terra reduziram pela metade a capacidade de duas divisões da Guarda Republicana, forças de elite de Saddam Hussein, de acordo com o chefe de Estado-Maior norte-americano, general da Força Aérea Richard Myers. Ele anunciou em entrevista coletiva que as divisões da Guarda Republicana permanecem em posição defensiva. Ele disse que elas não encenaram um recuo, mas que oficiais norte-americanos têm presenciado uma dispersão das tropas "para bairros e coisas desse tipo".
Onde está Saddam?
O secretário de Defesa norte-americano Donald Rumsfeld reafirmou hoje não ter informações sobre o paradeiro do presidente iraquiano, mas disse que é "interessante" que Saddam Hussein não tenha comparecido à televisão de seu país para fazer o discurso à nação que foi lido por seu ministro da Informação.
Ao contrário de dias anteriores, quando a televisão estatal iraquiana divulgava imagens de Saddam, na maioria das vezes em reuniões, hoje quem dirigiu a mensagem ao povo iraquiano foi o ministro da Informação, Mohamed Said Al Sahaf. No discurso, ele pediu que os iraquianos façam uma "jihad" (guerra santa) contra a coalizão anglo-americano que ataca o país e prometeu a vitória sobre o invasor. "O combate contra os agressores infiéis é uma oportunidade que Deus nos concede, a primeira em séculos", afirmou.
A resposta norte-americana demorou, mas veio na forma de um comunicado. Os Estados Unidos qualificaram de "espantosa e irresponsável" a convocação feita pelo presidente iraquiano. "Estas incitações à violência e a atentados suicidas (...) são tremendamente irresponsáveis", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Reeker. "Os ataques suicidas levam apenas a um único desfecho, que é a morte de quem os comete", disse.
Reino Unido
O governo britânico também achou "estranho" que o presidente do Iraque não tenha aparecido na televisão para convocar pessoalmente os iraquianos à "jihad" (guerra santa) contra as tropas anglo-americanas. "Não podemos chegar a uma conclusão definitiva, mas o fato de Saddam não ter aparecido gera perguntas sobre a autenticidade de suas outras mensagens televisionadas", afirmou o porta-voz do primeiro-ministro, Tony Blair.
Tática de guerra
O secretário Donald Rumsfeld atribuiu ao general Tommy Franks, chefe da operação no Iraque, o plano da ofensiva contra o país árabe. "É um plano excelente, mas não é o meu plano", disse Rumsfeld, acrescentando que a estratégia foi traçada por Franks, "por mais que a imprensa a atribua a mim". O secretário deu a declaração em meio às crescentes dúvidas sobre a eficácia do plano, deixando evidente a tensão que existe no Pentágono por causa do andamento incerto do conflito no Iraque.
Sobre o assunto, o presidente norte-americano, George W, Bush, disse que confia no plano militar colocado em prática no Iraque.
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