| Reuters |
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| A capital iraquiana passou o dia sob uma intensa cortina de fumaça |
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Esta sexta-feira, décimo dia da campanha militar anglo-americana no Iraque, foi marcada pelos mais fortes ataques à capital iraquiana desde o início da guerra. Segundo o correspondente da agência AFP, Bagdá teve hoje uma das madrugadas mais intensas de bombardeios desde o início da guerra. O primeiro ataque ocorreu por volta de 1h (horário local) da manhã, quando duas explosões atingiram a capital iraquiana. Cerca de uma hora depois, um violento bombardeio sacudiu a capital iraquiana com uma dezena de explosões, especialmente na zona sul da cidade. Um porta-voz do porta-aviões Theodore Roosevelt confirmou que navios da Marinha norte-americana no Mediterrâneo dispararam uma dezena de mísseis de cruzeiro Tomahawk contra Bagdá e sua periferia norte. Três grandes centros de comunicação da capital - o de Olwayia, na rua Sadoun, uma das principais de Bagdá, o de Al-Rashid, também no centro da cidade, e o de Maamun, no oeste, foram destruídos. A Torre Saddam, o edifício mais alto de Bagdá, também sofreu danos. Os ataques interromperam as chamadas telefônicas locais e muitas linhas de energia foram derrubadas - um dos primeiros danos à infra-estrutura da cidade desde o início da campanha militar contra o país. Mas o ataque mais sangrento aconteceu, mais uma vez, em uma área civil da capital iraquiana. Dezenas de pessoas, segundo testemunhas, morreram no bombardeio ao mercado Suq Nasser, no bairro popular de Al Choola, no oeste de Bagdá. Segundo estimativas de uma equipe da rede de televisão árabe Al-Jazira, que estava nas imediações, já apareceram 53 cadáveres, e poderia haver muitos outros sob os escombros. Além disso, várias crianças ficaram feridas pelo impacto do artefato. Ainda não se sabe se o ataque foi cometido com um míssil ou uma bomba. Durante a entrevista diária, o comando de operações americano negou que tenha disparado contra áreas civis de Bagdá. Segundo o ministro da Informação do Iraque, Muhammed Saeed Al-Sahhaf, 290 civis já morreram e 800 ficaram feridos desde o começo da guerra.
Ataque no Kuwait
Pela primeira vez na guerra, as sirenes não soaram e uma explosão foi ouvida no Kuwait. Por volta das duas da manhã de sábado(horário local) um míssil lançado pelas forças iraquianas caiu no sul da Cidade do Kuwait, provocando danos em um centro comercial. O local é próximo do Ministério de Assuntos de Exteriores e do palácio do Emir do Kuwait. A explosão não deixou feridos e os danos materiais não foram excessivamente importantes embora parte do teto do centro comercial tenha caído por causa do impacto. O centro comercial está situado no bairro de Souq Sharq, um dos mais freqüentados da capital kuwaitiana, mas no momento da explosão estava deserto. O Kuwait sofreu o ataque de vários mísseis, lançados do território iraquiano, desde que os EUA iniciaram a ofensiva militar contra o regime de Saddam Hussein. Praticamente todos os mísseis foram interceptados pelos sistemas antimísseis Patriot e alguns caíram em áreas desertas sem provocar danos. O comando de operações das forças de coalizão não comentou a explosão.
Avanços das tropas
Enquanto Bagdá acordava com barulho de explosões, tropas dos Estados Unidos combateram hoje cerca de 1,5 mil soldados iraquianos com tanques e artilharia durante a noite, perto da cidade de Najaf, no centro do Iraque. O enfrentamento ocorreu durante toda a madrugada e os militares divulgaram informações sobre possíveis vítimas nos confrontos, que são parte de um planejado movimento de pinça rumo ao norte pelas região do rio Eufrates. O repórter da Reuters Luke Baker afirmou que não estava claro se os iraquianos faziam parte de uma força regular ou parte da Guarda Republicana, composta por tropas de elite leais ao presidente Saddam Hussein. Oficiais de alta patente dos Estados Unidos já haviam afirmado ontem que esperavam a possibilidade de uma decisiva batalha na região entre Najaf e Kerbala, a cidade xiita sagrada, que fica a cerca de 50 quilômetros ao norte de Najaf. Eles disseram que uma brigada iraquiana composta por seis mil homens, incluindo tanques, tinha tomado posição na região de Kerbala. Alguns destes homens seriam parte da divisão Medina, da Guarda Republicana. Outra cidade que sofreu com os ataques aliados nesta sexta-feira foi Basra, a cerca de 500 quilômetros ao sul de Bagdá. A rede de TV árabe Al-Jazira mostrou imagens de enormes danos e destruições em zonas residenciais e comerciais da cidade - a segunda maior do país, com mais de um milhão de habitantes. As imagens também deixaram ver vários edifícios governamentais completamente destruídos, entre eles o quartel-general do partido Baath de Saddam Hussein, a sede da Companhia Petroleira do Sul e outras instituições. Conforme o correspondente da Al-Jazira em Basra, Mohamed Abdala, "os técnicos iraquianos estão tendo dificuldades para consertar a provisão elétrica e de água potável devido aos contínuos bombardeios das forças anglo-americanas". As tropas da coalizão, especialmente as britânicas, impõem um férreo bloqueio da cidade desde domingo passado, quatro dias depois de a guerra começar. Estas tropas continuam combatendo as forças da resistência iraquianas e não conseguiram, ainda, entrar na cidade, de onde centenas de moradores fugiram para escapar da guerra.
ONU aprova volta do "Petróleo por Alimentos"
Nos Estados Unidos, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou - por unanimidade - a retomada do programa "Petróleo por Alimentos". O programa permitia ao Iraque exportar quantidades limitadas de óleo para comprar produtos de primeira necessidade, aliviando o embargo de que o país é objeto depois da invasão do Kuwait em 1990, e havia sido suspenso no começo da guerra. Também nesta sexta-feira a ONU fez um apelo aos países que se dispõe a ajudar nas causas humanitárias, solicitando US$ 2,2 bilhões para cobrir a assistência de urgência à população iraquiana. O dinheiro servirá para pagar a ajuda necessária até o final de agosto e inclui uma verba de US$ 1,3 bilhão só para alimentos. Parte desse dinheiro poderá vir dos recursos gerados pelo programa "Petróleo por Alimentos".
Síria X EUA
Durante o dia, uma troca de acusações entre os Estados Unidos e a Síria movimentou as discussões sobre a guerra. O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, disse que a Síria enviou equipamentos militares ao Iraque e qualificou o ato de "hostil". "Temos informação de carregamentos de equipamentos militares que cruzam a fronteira desde a Síria para o Iraque", disse Rumsfeld, acrescentando que entre esses equipamentos há supostamente lentes de visão noturna. O sercretário assinalou que tornará o governo sírio responsável pelo suposto fornecimento. A Síria refutou as acusações dos Estados Unidos, dizendo que Washington estava tentando desviar as atenções das vítimas civis da guerra. "O que Donald Rumsfeld disse sobre o transporte de equipamento da Síria para o Iraque é uma tentativa de esconder o que suas forças vêm cometendo contra civis no Iraque", disse um comunicado do Ministério das Relações Exteriores. "Rumsfeld tenta justificar os fracassos de suas tropas no Iraque, devido às condições meteorológicas e a outros fracassos, acusando as demais partes de ter levado materiais para o Iraque", afirmou o porta-voz do ministério, citado pela agência oficial Sana.
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