> Notícias > Mundo  > Guerra no Iraque
 boletim tempo SMS fale conosco  

Capa
Notícias
Fotos
Infográficos
Jornal do Terra
Opinião
Vídeos
Dia a Dia
A guerra dos Bush
Armamentos dos EUA
Saddam e o Iraque
Contraponto aos EUA
O papel da ONU
Personagens da crise
Reflexo na economia
Relatos da guerra
Glossário
» Faça seu apelo pela paz, envie um postal

» Análises de Paulo Fagundes Vizentini

» História e atualidade por Voltaire Schilling

» 30 anos de protestos antiguerra

» Guerra, Internet e tecnologia


Guerra no Iraque
Terça, 25 de março de 2003, 17h29 
Europa intensifica boicote a produtos dos EUA
 
Veja também:
Multimídia
Flash
» EUA derrubam estátua de Saddam
Sites Relacionados
» Todas as fotos da guerra
Notícias
» Glossário da guerra
» Iraquianos enfrentam desafio de recomeçar o país
» Guerra tecnológica não foi capaz de poupar vidas
» Cartas, estátuas e bandeira são símbolos da guerra
» EUA ficam no Iraque por tempo indeterminado
» Guerra paralela: EUA tentam boicotar França
Últimas de Guerra no Iraque
» Governo e xiitas buscam fim dos combates em Bagdá
» Palestina não comenta prisão de Saddam
» Etapas da operação que capturou Saddam
» Leia a biografia particular de Saddam
Busca
Saiba mais na Internet sobre:
Busque outras notícias no Terra:
Nada de Coca-Cola, Budweiser, Marlboro, whisky do Tennessee ou mesmo cartões American Express. Um número cada vez maior de restaurantes da Alemanha está tirando tudo que for norte-americano de seu cardápio, em protesto contra a guerra no Iraque. Em dezenas de locais de Hamburgo, Berlim, Munique, Bonn e outras grandes cidades, os garçons estão dizendo: "Desculpe, mas a Coca-Cola não está disponível devido à atual situação política".

Aparentemente, essa reação simbólica aos Estados Unidos é parte de um movimento mundial. Uma página na Internet, (www.consumers-against-war.de), propõe o boicote às 27 maiores empresas norte-americanas, entre as quais a Microsoft e a Kodak. Outro site, (www.adbusters.org), sugere "um boicote à marca América".

A rede de lanchonetes McDonald's é uma das mais visadas. Desde que a guerra começou, já houve incidentes de depredação contra lojas da rede em lugares tão distantes quanto a França ou a Indonésia. Até os mais remotos recantos da Rússia vivem o sentimento de antiamericanismo. Em alguns restaurantes da zona rural, há placas avisando que norte-americanos não são bem-vindos, segundo o jornal Izvestia.

A fábrica alemã de bicicletas Riese und Müeller cancelou todos os contratos com fornecedores norte-americanos. "Eles só prestam atenção quando há dinheiro envolvido", disse Heiko Müeller, o diretor da empresa, que compra por ano cerca de US$ 300 mil em peças de seis fábricas dos Estados Unidos. "Queríamos nos manifestar contra esta guerra e dissemos a nossos colegas norte-americanos que, a menos que eles renunciem a tudo o que seu governo está fazendo, não iremos mais negociar com eles".

Gesto simbólico

O boicote aos produtos norte-americanos nos restaurantes alemães está se espalhando rapidamente pelo país, cuja população se tornou convictamente pacifista após a devastação sofrida na Segunda Guerra Mundial. "Se as pessoas de todo o mundo boicotassem os produtos norte-americanos, isso iria influenciar a política dos EUA", disse Jean-Yves Mabileau, dono do restaurante L'Auberge Française, de Hamburgo, que aderiu à campanha.

"Isso começou como uma reação bem-humorada aos norte-americanos jogando vinho francês na sarjeta. É só um pequeno gesto, mas dos bons", afirmou.

Os clientes da Osteria, de Berlim, estão descobrindo que "tudo fica melhor sem Coca-Cola". Em vez disso, estão pedindo a fraca imitação local do produto, a Afri-Cola, para expressar sua indignação. "Queremos atingir a América onde dói - no bolso. Nenhum dos nossos clientes reclamou. Pelo contrário, a maioria achou genial", afirmou o proprietário do lugar, Fabio Angile.

Hervé Keroureda, dono de um bistrô em Hamburgo, se diz surpreso com a repercussão do boicote. "Era para ser um pequeno gesto, que se transformou em uma questão gigantesca", afirmou. "E a reação dos clientes é incrível. A maioria achou a idéia brilhante".

Sarah Stolz, 22, aluna de estudos americanos em Berlim, se preparava para tomar um café num Starbucks do centro da capital alemã quando sua consciência pacifista falou mais alto. "Eu estava pensando em ir ao Starbucks, que eu adoro, quando percebi que isso seria errado", disse ela. "Estou apoiando o boicote porque a guerra é totalmente injustificada". Pelo mesmo motivo, Rita Marshall evita o McDonald's e o Burger King. "Essa é só uma das maneiras de nos posicionar", disse a moça, de 26 anos, em frente a um McDonald's de Berlim.

Assim como os norte-americanos rebatizaram jocosamente as batatas fritas ("French fries") de "batatas livres" ("freedom fries"), por causa da oposição francesa à guerra, algumas padarias alemãs inventaram que a rosca doce conhecida como "Amerikaner" agora se chama "Peace-ies".

Apesar da repercussão, o boicote vem apresentando poucos resultados concretos. Marcas tradicionalmente associadas aos Estados Unidos, como Starbucks, McDonald's e Coca-Cola, disseram que não estão sentindo os efeitos do protesto nos seus caixas. "Somos realmente um negócio local na Alemanha. O produto é feito na Alemanha, e eles estão boicotando produtos alemães", disse Jonathan Chandler, diretor regional de comunicação da Coca-Cola. Ele não quis comentar o impacto do boicote sobre as vendas, mas uma fonte do setor disse que é mínimo.

O McDonald's disse que também não está sofrendo prejuízos na Europa e que a recente agressão a uma loja do grupo em Paris foi "um incidente infeliz durante um protesto". "Como entidade global, o McDonald's é uma marca justa. A maioria dos restaurantes é franquias locais e dão apoio às suas comunidades. Então por que atacar o McDonald's? Se tiver uma boa resposta, me avise", disse uma assessora de imprensa.

No subúrbio londrino de Milton Keynes, o Partido Verde está convocando os consumidores a boicotarem 330 produtos norte-americanos, que vão dos chocolates Mars aos jeans Gap e aos filmes de Hollywood.

Em Zurique, na Suíça, agentes de viagem dizem que alguns passageiros estão cancelando as férias nos Estados Unidos. "Alguns clientes fiéis, que há anos viajam aos Estados Unidos, estão mudando de planos porque não gostam do que Bush está fazendo", disse Lucia Zeller, diretora da agência Travac, ao jornal Tages Anzeiger.
 

Reuters

Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.