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Guerra no Iraque
Quinta, 20 de março de 2003, 00h01  Atualizada às 10h10
Saddam é alvo dos primeiros ataques dos EUA
 
AP
TV iraquiana exibiu declaração de Saddam após bombardeios começarem
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O céu de Bagdá se iluminou no começo da manhã iraquiana - 23h35 em Brasília - com o disparo da artilharia norte-americana. Minutos depois, um porta-voz da Casa Branca confirmou o início da ofensiva, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez um discurso anunciando uma "guerra extensa".

Nove horas após o começo da guerra, o governo iraquiano anunciou a morte de um civil como conseqüência dos bombardeios norte-americanos em Bagdá. O Iraque diz que foram atingidos prédios vazios da imprensa e alfândega. Pelo menos 14 pessoas estariam feridas.

Novos ataques foram lançados durante a manhã (horário de Brasília), a partir do norte do Kuwait. "Houve uma contínua barragem por cinco minutos que soou como artilharia e morteiros lançados do Kuwait em direção ao território iraquiano -definitivamente mais de 50 disparos", disse, por volta das 8h30, o correspondente da Reuters localizado perto de soldados dos EUA no Kuwait. Um outro correspondente com as forças norte-americanos também informou ter ouvido som de barragem de artilharia na mesma hora.

No Kuwait, a televisão estatal afirmou que o país foi alvo de cinco mísseis disparados pelo Iraque. Foram exibidas imagens dos destroços de um deles, aparentemente um Scud interceptado por um antimíssil Patriot. O ministro da Informação iraquiano, Mohammed Saeed al-Sahaf, disse que o Iraque não possui mísseis Scud e negou o ataque. "Ouvi relatos de que disparamos mísseis Scud no Kuwait. Gostaria de dizer que não temos mísseis Scud, e não sabemos por que eles foram disparados", afirmou Sahaf.

Quando falou na televisão, Bush disse que os primeiros ataques foram limitados e visaram a preparar o campo de batalha. Mas, de acordo com a edição de hoje do jornal The Washington Post, o alvo norte-americano era Saddam Hussein, que estaria reunido com assessores em uma casa na zona sul de Bagdá. Pouco depois dos primeiros ataques, no entanto, a televisão iraquiana mostrou uma declaração do presidente iraquiano a seu povo. "Pequeno Bush cometeu um crime contra a humanidade", afirmou Saddam, em um vídeo que pode ter sido gravado previamente.

O Pentágono revelou que mísseis de cruzeiro Tomahawk foram lançados do cruzador USS Donald Cook, mas não confirmou as informações da imprensa americana de que bombardeiros estratégicos B-1, B-2 e B-52 participaram da ação. A rede de televisão CNN mencionou o disparo de mais de 40 mísseis de cruzeiro. A NBC, citando fontes militares, disse que os raids aéreos contra Bagdá visavam instalações do comando iraquiano, além de um alvo "não precisado", supostamente um comboio em movimento.

Os ataques em massa, no entanto, ainda estão por vir. Israel assegurou hoje que a maior ofensiva dos aliados contra o Iraque acontecerá às 17h GMT (14h de Brasília). Israel é o único país do Oriente Médio ao qual a administração norte-americana prometeu avisar antecipadamente do lançamento do ataque contra o Iraque, para que possa estar preparado.

O ataque aos iraquianos começou por volta da meia-noite de Brasília, quando começava a amanhecer no Oriente Médio. Terminou às 22h (horário de Brasília) o prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para o líder iraquiano Saddam Hussein deixar o país ou enfrentar a guerra. Em pronunciamento em rede mundial na noite de segunda-feira, Bush decretou um ultimato de 48 horas para Saddam e seus filhos deixarem o Iraque, sob o risco de uma invasão liderada pelos Estados Unidos. Saddam rejeitou o ultimato, dizendo que não acataria ordens "de um estrangeiro".
 

Redação Terra