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Guerra no Iraque
Quinta, 17 de abril de 2003, 11h26 
Udai, um filho mimado e apaixonado por Internet
 
Reuters
Fotografia de Udai Hussein em uma das cartas distribuidas pelos EUA
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Udai, o filho mais velho de Saddam Hussein, era um apaixonado pela Internet, tortura, armas, mulheres, carros, jóias e álcool. Tais informações já foram dadas por várias pessoas que conviveram com ele, mas a cada novo depoimento surgem detalhes mais chocantes. Desta vez, quem fala é um de seus ex-colaboradores, que pediu para não ser identificado.

"Ele passava grande parte do dia na Internet visitando os sites de organizações não-governamentais para se informar sobre os mais sofisticados métodos de tortura, especialmente na América do Sul, e quando não entendia o texto em espanhol, imprimia as fotos", afirmou. O ex-funcionário, que ainda vive perto de Bagdá, diz que Udai não torturava com as próprias mãos, mas gostava de assistir às sessões de tortura em uma prisão situada 50 quilômetros ao sul de Bagdá e controlada por sua organização, os Fedayin de Saddam. Uma vez, no entanto, chegou a jogar do 14º andar um homem que não lhe pagou pelos serviços prestados, revela o colaborador.

A fonte revela ainda que a sala de ginástica de Udai, no complexo presidencial, possuía uma quantidade impressionante de aparelhos de musculação e as paredes eram cobertas por páginas impressas da Internet sobre o tema. Esse centro, chamado Khalil Fayad, contava com uma imensa piscina e foi construído depois do atentado que Udai sofreu por parte dos xiitas, em 14 de dezembro de 1996. O ataque quase custou sua vida e afetou o movimento de suas pernas.

Em outra sala, as paredes estão cobertas com fotos ou pinturas das figuras mais respeitadas do xiismo, como Ali e Hussein, ao lado de fotos de atrizes como Brooke Shields. Em seu palácio também há muitos livros sobre essa facção do islamismo e sobre o xeque Mohamad Hussein Fadlala, dirigente espiritual dos xiitas libaneses. "Desde o atentado, ele ficou fascinado pelos xiitas e lia tudo que encontrava sobre o tema, pois achava que, se aproximando deles, já não voltaria a ser alvo de um atentado", explicou a fonte.

Assim como os outros temas, as mulheres também eram tratadas como obsessão. Além dos casos com iraquianas, Udai também usava uma agência de "call-girls" libanesa, que tinha em seu casting várias européias. "Udai jamais se casou, mas era obcecado pelas mulheres. Via uma mulher de quem gostava na rua ou em uma festa e mandava buscá-la", acrescentou o homem, que trabalhou durante anos com Udai.

Depois da invasão de Bagdá, foram encontradas em suas casa pôsteres e quadros de mulheres nuas e até fotos das filhas do presidente norte-americano. Udai recebia as mulheres em um apartamento de solteiro em Jadriya, bairro dos altos dignitários do regime, ou em uma casa no clube náutico.

As armas também figuravam entre suas principais paixões e na casa do clube náutico há uma grande quantidade de pistolas, fuzis, metralhadoras e punhais. "Ele bebia muito, principalmente conhaque e arak iraquiano", afirmou a fonte. Também adorava relógios, jóias masculinas e automóveis. "Tinha uns cem carros em sua coleção, entre eles vinte Rolls Royces".

A única pessoa a quem Udai venerava era a mãe, Sajida, a primeira esposa de Saddam Hussein. Era com ela e a irmã mais nova, Hala, que compartilhava a casa.
 

AFP

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