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"Eu vi Saddam aqui mesmo!", repetia Hafez Sarmad hoje, ante dezenas de olhares atônitos que contemplavam as ruínas das quatro casas destruídas por bombas norte-americanas há uma semana, no bairro de Al-Mansur de Bagdá. Conforme o exército norte-americano, o líder iraquiano estava no edificio reunido com a cúpula de seu governo no momento do ataque. Como todos os dias há exatamente uma semana e em uma espécie de procissão solene, inúmeros habitantes de Bagdá comparecem a esta pequena rua situada na parte sul da cidade, perto da avenida 14 Ramadan, para ver a cratera de oito metros de profundidade e quinze de diâmetro que as bombas norte-americanas deixaram. Acostumados a ver seu presidente diariamente em reuniões de gabinete ou dirigindo-se aos cidadãos, a total falta de notícias que já dura uma semana provoca todo os tipos de especulações sobre o destino de seu líder. "Onde estão Osama Bin Laden e o mulá Omar? Ninguém sabe. O mesmo vai acontecer com Saddam. Ele vai virar uma lenda", explica Khalid, observando o buraco em que sumiu a casa bombardeada. A seu lado, outros irquianos acham que o dirigente aparecerá "mais cedo ou mais tarde" e colocará o país em ordem de novo. Segundo o jovem de 15 anos que assegura ter visto o presidente, Saddam Hussein chegou a uma das casas acompanhado de Abed Hmud, seu assistente pessoal, horas antes do bombardeio. "Chegaram em vários automóveis às dez horas da manhã. O rosto dele parecia coberto para não ser reconhecido. Os carros saíram depois e talvez ele estivesse dentro", explica. Da porta de sua casa, vizinha das que foram pulverizadas pelo caça-bombardeiro americano, um capitão da marinha chamado Antisar Al-Mahdi também observa o local. Sua moradia foi afetada pela explosão, mas ainda está de pé. "Aluguei esta casa em fevereiro para Falih Al-Azawi, secretário de Qusai (um dos filhos de Saddam Hussein) por US$ 200. Este lugar servia de casa e escritório", assegura, sem dar explicações sobre seus habitantes. De acordo com ele, os norte-americanos queriam bombardear esta casa, mas seus cálculos falharam em cinco ou dez metros. "Falih e todos os guarda-costas escaparam com vida pela porta dos fundos. Eu os vi", acrescentou. O capitão assegura com ar sereno e sorridente que o "senhor presidente" também está vivo e que se encontra escondido em Bagdá, independente do que digam. A última imagem que se tem do presidente remonta à segunda-feira passada, quando a televisão estatal mostrou o líder com uniforme militar presidindo uma reunião em uma grande sala com as cortinas abertas para deixar passar a luz. "Saddam jamais esteve aqui", afirma o capitão. "Juro que está vivo. Várias pessoas o viram na quinta-feira passada. Gente ligada a ele, pessoas que o conheciam bem", explica, convicto de si mesmo. Nesse momento, os gritos dos vizinhos anunciam que, depois de sete dias de intensas buscas, o corpo de uma mulher de 50 anos, chamada Salma, morta com seus três filhos no ataque, foi encontrado sob os escombros do telhado de uma casa situada diante da sua e que desabou por completo. Ela foi encontrada devido ao mau cheiro desprendido do corpo, literalmente partido em dois e jogado ao longe pela explosão. "Esta é a liberdade que prometeram os norte-americanos? Ela era apenas uma mãe de família!", exclamam seus sobrinhos e irmãos sem conter a revolta enquanto transportavamm o caixão. Veja também » Guerra termina com balanço contraditório para Blair » Solana pede para EUA esfriarem o tom contra a Síria » Inspetores dizem que Powell mentiu sobre armamento iraquiano » EUA ocupam Tikrit e ameaçam a Síria
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