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Guerra no Iraque
Segunda, 7 de abril de 2003, 23h13 
Ataques da coalizão voltam a matar civis em Bagdá
 
Reuters
Anglo-americanos dominaram palácios de Saddam
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A invasão anglo-americana ao Iraque resultou em mais 14 mortes de civis durante um bombardeio em Bagdá. Um míssil da coalizão atingiu nesta segunda-feira o centro da capital iraquiana, deixando uma cratera de pelo menos 15 metros de diâmetro por oito de profundidade. Três casas foram destruídas.

As ações das tropas dos Estados Unidos e do Reino Unido se concentraram na periferia da cidade. Soldados dos EUA promoveram uma extensa revista em civis, acusados de integrar a Guarda Republicana, em uma ponte sobre o rio Tigre.

Principais alvos são os palácios de Saddam Hussein
Além do ataque que matou 14 civis, um grupo de soldados norte-americanos explodiu um prédio próximo ao palácio presidencial de Bagdá. A edificação estava em um centro político da capital iraquiana, onde se concentram os principais pontos de referência do governo de Saddam Hussein.

Mas os palácios do presidente do Iraque parecem ter se tornado os principais alvos neste ponto do conflito. Ao todo, três deles podem estar sob o controle da coalizão, incluindo o presidencial de Bagdá.

O tenente-coronel Peter Bayer, responsável pelas operações da 3ª Divisão de Infantaria, esclareceu que as forças dos EUA controlam o principal palácio presidencial, outro do centro da capital e um terceiro perto do aeroporto internacional, no sul da cidade. O ataque foi negado pelos porta-vozes do regime iraquiano.

A iniciativa é uma tentativa de encontrar Saddam e seus principais assessores, incluindo os dois filhos. Durante a madrugada, tropas iraquianas contra-atacaram para retomar o controle do palácio presidencial.

Já o Pentágono informou que a operação militar que realizada pelos Estados Unidos em Bagdá é uma "demonstração de força" que envia uma poderosa mensagem ao regime iraquiano, mas não antecipa necessariamente a "batalha por Bagdá". As autoridades iraquianas negaram veementemente a presença das tropas na cidade e o controle dos palácios pela coalizão.

No entanto, foram divulgadas fotos de um dos palácios de Saddam Hussein, situado na cidade de Basra, abandonado e tomado por tropas britânicas que ainda lutam para controlar a cidade, no sul do país.

Ali Químico pode estar morto
O secretário de Defesa britânico, Geoff Hoon, disse que há fortes indícios de que "Ali Químico", primo de Saddam Hussein e comandante da região Sul, está morto. Ali Hassan Al-Majid recebeu o apelido de Ali Químico depois de ter ordenado o uso de gás venenoso em vilarejos curdos rebeldes em 1988.

EUA acreditam terem encontrado armas químicas
As Forças dos EUA perto de Bagdá afirmam ter encontrado um carregamento de cerca de 20 mísseis iraquianos de médio alcance equipados com sarin e gás mostarda. De acordo com fontes militares, as armas químicas estavam prontas para o uso.

Testes preliminares das substâncias encontradas em um campo de treinamento sugerem que elas contêm um coquetel de armas químicas proibidas, incluindo agentes nervosos letais. No entanto, autoridades do Pentágono afirmaram ser muito cedo para que exista um parecer definitivo sobre as armas.

Nesta terça-feira, os agentes químicos devem passar por outro teste, que pode esclarecer a dúvida sobre a possibilidade de armazenamento de armas químicas pelo regime iraquiano.

EUA e Reino Unido divergem sobre o papel da ONU
O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, admitiu que existem divergências entre os Estados Unidos e o Reino Unido em relação ao processo de ocupação do Iraque no período posterior aos ataques. No entanto, Powell minimizou a cobertura dada pela imprensa às divergências.

Colin Powell estimou que os meios de comunicação haviam exagerado as diferenças entre Londres e Washington sobre o lugar que a ONU deve ocupar na reconstrução do Iraque. "Haverá muitas discussões em torno do papel das Nações Unidas, mas não há divergências tão significativas quanto as que se lê na imprensa", afirmou o secretário de Estado americano.

Lideranças da oposição iraquiana, que apóiam a invasão ao próprio país, querem participar do governo após a guerra. Ahmad Chalabi, um dos principais líderes de oposição ao regime de Saddam Hussein, disse em entrevista à rede britânica de televisão BBC que quer os soldados norte-americanos no Iraque até que se aprove uma nova Constituição e que eleições livres sejam realizadas no país.

Ele se encontrou com líderes tribais para discutir o futuro do país: "Eles apoiaram os esforços que eu fiz para persuadir os americanos a desistir da idéia de um governador militar e para que os americanos apóiem uma administração iraquiana interina o mais cedo possível. Foi uma discussão extremamente importante, na minha opinião, porque as pessoas que sofreram sob o regime de Saddam puderam se expressar. Nós os parabenizamos pela luta constante contra Saddam. Essa luta conseguiu, às vezes, abalar o regime com força. Nós também vamos para outras áreas do sul do Iraque para descobrir o que eles pensam".

Apesar de apoiar a intervenção norte-americana no pós-guerra, Chalabi acredita que os EUA devem proteger a independência do Iraque, a unidade do território e um governo democrático.
 

Redação Terra