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Guerra no Iraque
Terça, 1 de abril de 2003, 20h55 
Pequenas vítimas da guerra choram em silêncio
 
Reuters
A cena está se tornando comum: pais e filhos feridos por bombardeios
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Em um pequeno hospital lotado de centenas de civis feridos, duas crianças desnorteadas choram em silêncio, enquanto tentam confortar a irmã mais nova, que grita. Seus pais acabam de ser mortos em um bombardeio aliado. Com as lágrimas escorrendo pelo rosto, Ahmad, 9, abraça a irmã caçula. Seu outro irmão, também mais novo, acaricia a cabeça do bebê, que chora. No corredor do hospital, os três chamam pouca atenção em um local lotado de crianças ensangüentadas, mulheres aos prantos e idosos se queixando de dor.

Os três irmãos tornaram-se órfãos após um bombardeio nas proximidades da cidade em que moravam, 80 quilômetros ao Sul de Bagdá. Segundo uma autoridade do hospital, esta ofensiva dos aliados matou 33 civis, a maioria mulheres e crianças, e feriu cerca de 400 pessoas.

O vizinho das crianças, Mohammad Karim, 23, contou que "quando os moradores viram os aviões de guerra voando baixo, deixaram às pressas suas casas e correram na direção de plantações próximas (...) Então, começou a chover bombas em toda parte (...) Pessoas foram abatidas como carneiros".

Karim, sentado ao lado da cama do irmão, que tem ferimentos graves na garganta, explica que "os pais das três crianças morreram na hora (...) quando voltamos para casa, depois do bombardeio, ficamos chocados ao encontrarmos as três crianças em pânico (...) O menino mais velho começou a gritar: "Onde está minha mãe? Onde está meu pai? (...) Não sabíamos o que dizer, então trouxemos os três irmãos para o hospital".

O bombardeio desta terça-feira foi descrito como "um verdadeiro horror" pelo porta-voz do Comitê International da Cruz Vermelha em Bagdá. Dezenas de casas foram destruídas no ataque, que também matou burros, cães e galinhas. "Nossa equipe de quatro pessoas foi até o hospital Hilla, ao sul de Bagdá, e o que viu foram verdadeiras cenas de horror. Havia dezenas de corpos despedaçados", disse Roland Huguenin-Benjamin.

No hospital, muitas crianças feridas são obrigadas a repousar no chão, devido à falta de leitos. Os idosos são acomodados na pequena área atrás do estabelecimento, e têm que suportar a dor dos ferimentos.

Salima Karrar Barhan, 33, foi ferida nos braços, pernas e cabeça. Ela repousa em um leito estreito, entre o filho de 9 anos que foi ferido na barriga e a filha de 6 que está com ataduras nas pernas. A mulher segura os dois com força, para que não caiam no chão. "Onde está meu marido? Onde está meu marido? Ele precisa tomar conta das crianças, porque eu não posso mais. Por favor, encontre-o", implora.

Na área atrás do hospital, um homem anda em volta de caixões posicionados no formato de um círculo. Razek Al-Kazem Al-Khafaji perdeu a mulher, seis filhos, o pai, a mãe, os três irmãos e as cunhadas na noite de ontem, quando a pickup da família foi atingida por um foguete lançado de um helicóptero Apache americano.

Ignorando as pessoas em volta, levantou o lençol que cobria um dos caixões e observou os corpos mutilados de três dos seus filhos. Parou em frente a outro caixão e lamentou a presença do corpo de outra criança, colocado ao lado dos restos de um bebê que morreu com a chupeta na boca.
 

AFP

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