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Guerra no Iraque
Terça, 1 de abril de 2003, 08h21 
Morador de Bagdá conta como é viver sob as bombas
 
Reuters
Criança é atendida em hospital de Bagdá
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A capital iraquiana voltou a ser submetida a bombardeios intensos ontem. Segundo médicos da cidade, os ataques provocaram, só no período da manhã, quatro mortes no distrito de Al-Amin, no leste da capital. Os últimos bombardeios atingiram uma central telefônica, o ministério da Informação e um palácio pertencente a um dos filhos de Saddam Hussein.

As cenas nos hospitais de Bagdá são "assustadoras, não há palavras para descrevê-las", conforme relatou o jornalista iraquiano Sobhi Haddad, correspondente da seção árabe do serviço mundial da BBC. Haddad vive em Bagdá com sua esposa Neriman e suas filhas de 4 e 11 anos e descreveu como foi sua segunda-feira com os bombardeios aliados.

Ruído ensurdecedor
Houve um bombardeio intenso em Bagdá durante toda a noite (de domingo) e também nesta manhã (de segunda-feira). Os mísseis caíram muito perto de onde eu vivo, no norte de Bagdá. Parece que os britânicos e os norte-americanos não diferenciaram os alvos militares e os civis. Parece que ficaram escolhendo as áreas mais povoadas de Bagdá.

Minha casa sacudiu várias vezes com os bombardeios, as janelas vibraram. Caíram pelo menos 15 mísseis. Esta é uma área residencial, povoada principalmente por professores universitários e intelectuais, pessoas que não têm nada a ver com os militares.

O outro dia visitei um hospital e vi centenas de crianças, mulheres, idosos e homens jovens. Os hospitais estavam repletos de feridos, alguns com ferimentos muito sérios. Algumas pessoas estavam em estado de choque.

O ruído era ensurdecedor dentro do hospital: crianças gritando, chorando. Algumas das mães que as acompanhavam também estavam feridas. Havia crianças que haviam perdido suas mães. A cena era assustadora, não tenho palavras para descrevê-la.

Os médicos me falaram de um menino de dez anos morto por um míssil. Seu pai escutou o ruído do impacto do projétil na casa e quando correu em direção a ela encontrou a seu filho morto.

Outro iraquiano me disse que seu irmão de 23 anos e seu sobrinho de sete morreram a caminho do hospital. Outro senhor encontrou a seu filho de 12 anos morto, com seu corpo em pedaços por causa de uma explosão.

Neste momento posso escutar os B-52s voando sobre nossas cabeças. Não consigo dormir, estou com gripe e os mísseis caem perto de onde moro. Minhas filhas estão aterrorizadas.
 

BBC Brasil

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