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Guerra no Iraque
Jovem turco quer lutar no front contra Saddam
 
Larissa Magrisso
 
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Toprak Sunduzoglu tem 23 anos e trabalha com Administração de Sistemas. Ele mora em Istambul e, atualmente, vive na expectativa de ser convocado para lutar com o Exército contra Saddam Hussein.

"Eu tenho 23 anos. Com essa idade, talvez eu me torne um soldado se a Turquia entrar em guerra com o Iraque. Acho que devemos lutar. Eu amo meu país e poderia morrer por ele. Saddam tortura os turcos que vivem em seu país, e por isso temos que apoiar os Estados Unidos e seus aliados.

É importante deixar claro que os turcos não são iguais aos árabes. Nós somos mediterrâneos, como os italianos e portugueses. E só temos um ponto em comum com os árabes, a religião. Como vocês sabem, os turcos são diferentes: nós somos soldados, essa é a nossa herança histórica.

A Turquia tem problemas econômicos. Com a guerra, acho que eles serão agravados. Talvez muitos turcos percam seus empregos e algumas empresas tenham que fechar suas portas. Mas a guerra é necessária porque o Iraque apóia organizações terroristas. Eu acredito que todos os ditadores devam ser punidos, alguém precisa levar a democracia ao Iraque.

As pessoas têm, sim, medo da guerra. Medo de perder aqueles que amam. Hoje (18 de março) é aniversário de 88 anos da guerra de Dardanelles, em que 265 mil turcos morreram. Mas nós não estamos com medo de morrer. Nunca teria medo de morrer pelos meus conterrâneos.

Nós somos o Estado mais poderoso do Oriente Médio. Nós levamos uma vida normal. Trabalhamos, vamos à escola, mas estamos prontos a qualquer momento. Se Saddam atacar o povo turco, o contra-ataque será muito pior.

Eu sei que a maioria dos brasileiros não quer a guerra, mas ela é inevitável. E se a guerra está se aproximando nós não vamos olhar para o outro lado. Alguns turcos não gostariam de ir à guerra. Mas se nós tivermos que lutar, nós vamos lutar com coragem e horna.

Depois que Saddam for derrotado, pode acontecer no Iraque algo parecido com o que houve no Afeganistão. Os EUA vão querer governar o país através de um líder iraquiano. Mas depois de 70 anos de ditadura, a oposição lá é muito fraca. Este líder será um boneco nas mãos dos EUA.

Depois da guerra, talvez a vida fique pior do que está. Talvez todo o Oriente Médio fique sob controle norte-americano, talvez muitos soldados turcos morram. Mas nós teremos ao menos um ganho: protegeremos os 400 mil turcos que vivem no Norte do Iraque. Nossa política externa baseia-se no seguinte princípio: "Paz em casa. Paz no mundo" (a frase é de Mustafa Kemal Atatürk, fundador da República Turca). A Turquia nunca calcula os ganhos. Apenas faz pela humanidade."
 

Redação Terra