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O papel da ONU
Trabalho dos inspetores no Iraque foi decisivo
 
Reuters
O chefe dos inspetores da ONU, Hans Blix
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Depois de mais de sete anos de controle, o trabalho dos inspetores da ONU no Iraque se tornou o centro do conflito, com um papel que parece ir além da simples verificação do desarmamento do país. As inspeções começaram em 1991, depois da Guerra do Golfo, que motivou as sanções da ONU ao regime de Saddam Hussein e impuseram o embargo e a destruição das armas de destruição em massa.

Desde então e até 1998, uma comissão de desarmamento, naquela época conhecida pela sigla em inglês Unscom, destruiu 48 mísseis Scud, 50 ogivas de mísseis com armas químicas e biológicas, milhares de mísseis, cerca de 60 plataformas de lançamento, 400 mil projéteis com agentes químicos e cerca de mil toneladas de agentes biológicos e bioquímicos. Em dezembro de 1998, o Iraque parou de colaborar, acusando os inspetores de espionagem, e seu trabalho foi suspenso. Antes de partir, essa "infame" comissão, como foi chamada por vários países do Conselho, encontrou documentos com informações sobre armamento químico e biológico que poderia estar escondido.

O então presidente norte-americano, Bill Clinton, justificou assim um intenso bombardeio sobre o Iraque durante quatro dias consecutivos em dezembro de 1998, depois do qual declarou que tinha destruído todas as armas de destruição em massa do Iraque. Mais tarde, em dezembro de 1999, a Unscom foi desarticulada em meio ao descrédito geral quando se descobriu que sua estrutura foi utilizada por Washington para espionar o regime de Bagdá e bombardear o Iraque.

Depois disto, o governo norte-americano começou a levantar dúvidas sobre o desarmamento iraquiano e defendeu uma nova resolução para exigir o regresso dos inspetores. Em 17 de dezembro de 1999, o Conselho de Segurança, com as abstenções da França, China e Rússia, aprovou a resolução 1284, que criava a Comissão das Nações Unidas de Inspeção, Vigilância e Verificação (Unmovic). Também foi estabelecido que, em seus trabalhos, a Unmovic teria ajuda da Agência Internacional para a Energia Atômica (AIEA). Bagdá rejeitou, porém, a presença dos inspetores internacionais.

Em 12 de setembro de 2002, o atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou na Assembléia Geral da ONU que uma ação militar seria inevitável, se o Iraque não cumprisse o que lhe tinha sido imposto. O sueco Hans Blix, à frente da Unmovic, pediu a Bagdá que aceitasse a volta dos inspetores e afirmou que não havia provas contra o Iraque.

Em 16 de setembro do mesmo ano, o Iraque aceitou o regresso dos inspetores, mas depois de anos exigindo sua volta, Washington a impediu durante dois meses até que, em 8 de novembro, obteve uma nova resolução. O novo texto alertava Bagdá de que esta era sua última chance e que enfrentaria graves conseqüências, se não cumprisse suas obrigações.

A resolução também fazia uma inversão da carga da prova, já que impunha a Bagdá demonstrar sua inocência, ao invés de exigir que os inspetores comprovassem que Saddam possuía armas de destruição em massa. No dia 27 de novembro, as inspeções foram retomadas e, em 7 de dezembro, o Iraque entregou um relatório de 12 mil páginas, garantindo não ter armas. O documento foi logo contestado pelos EUA e Grã-Bretanha.

No início de janeiro, a Unmovic e a AIEA contavam no Iraque com pouco mais de cem inspetores, quase sua capacidade máxima, enquanto os Estados Unidos tinham aumentado seus soldados, que chegavam a 100 mil na região. Em 27 de janeiro, Blix, investigado pela CIA meses atrás, declarava ao Conselho de Segurança que o Iraque não cooperava e que restavam 6,5 mil bombas e outros produtos, como agentes biológicos, de acordo com os documentos da Unscom.

Embora seu colega, Mohamed El Baradei, diretor da AIEA, afirmasse que o Iraque não tinha armas atômicas, o relatório de Blix foi visto por muitos como um sinal verde para a guerra contra o Iraque e como o fracasso do trabalho dos inspetores.
 

EFE

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