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| A guerra dos Bush |
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Guerra deixaria rombo de quase US$ 2 trilhões |
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| Terra |
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| Preço do barril do petróleo pode chegar a US$ 161 |
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Economistas de todo mundo concordam em um ponto: uma guerra no Iraque vai trazer prejuízos para a economia dos EUA. Eles só discordam da extensão do estrago. Enquanto os mais alarmistas falam em um rombo de US$ 1,9 trilhão por dez anos outros aventam a possibilidade de prejuízos de US$ 491 bilhões de dólares até 2010.
William Nordhaus, professor da Universidad de Yale, dos Estados Unidos, e diretor de uma pesquisa sobre custos, conseqüências e alternativas de uma guerra com o Iraque, trabalha com dois cenários: o de uma guerra breve e o de uma prolongada. Os custos para a próxima década são no primeiro caso de US$ 100 bilhões e no outro de US$ 1,9 trilhão. Este último caso inclui US$ 140 bilhões em custos militares, US$ 500 bilhões na manutenção da paz, US$ 105 bilhões na reconstrução do país, US$ 10 bilhões para ajuda humanitária, US$ 778 bilhões pelo aumento dos preços do petróleo e US$ 391 bilhões pelo impacto econômico.
Embora enorme, essa conta não é a mais grave. "É um cenário onde muitas coisas vão mal. Mas não é a pior das hipóteses possíveis. Não inclui o uso de armas de destruição em massa, não pressupõe grandes atos terroristas, não contempla uma extensão da guerra na região", advertiu o estudioso norte-americano.
No modelo de Nordhaus, o custo de uma guerra breve é modesto comparado com a análise realizada por Warwick McKibbin, diretor do Banco da Reserva da Austrália, e Andrew Stoeckel, diretor-executivo do Centro de Economia Internacional. Em estudo conjunto, estimaram que uma guerra curta, seguida de um ano de ocupação e dois de reconstrução financiados por grandes países, obrigaria os Estados Unidos a desembolsarem US$ 491 bilhões de dólares até 2010.
Uma guerra prolongada, cinco anos de ocupação e mais cinco de reconstrução, custaria US$ 1,47 trilhão aos Estados Unidos e US$ 3,57 trilhões ao resto do mundo. "Certamente existem outros cenários fora destes limites", disseram. "Alguns dizem que a guerra será questão de dias. Outros dizem que desestabilizaria a região, e que a ocupação duraria anos, como no Vietnã", assinalaram.
O petróleo é um fator crucial em todos os cenários imaginados. George Perry, acadêmico do Instituto Brookings dos Estados Unidos, afirma que a interrupção dos fornecimentos de petróleo do Oriente Médio aumentará até US$ 161 o preço do barril no pior dos casos. "É preciso abrir os olhos para o que ocorre no mercado do petróleo", advertiu, por sua vez, Nordhaus. Se os preços do barril caírem abaixo de US$ 20, as economias vão se beneficiar. "Se dispararem bem acima do que estão agora - mais de US$ 30 dólares - , provocarão dificuldades", assinalou.
Alguns economistas acham que essas previsões são exageradas. Em 2003, o impacto na economia dos Estados Unidos seria a metade do gasto anual total, 50 bilhões de dólares, disse Michael Mussa, ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). As economias dos Estados Unidos e do restante do mundo já foram castigadas pelo aumento dos preços do petróleo e pela incerteza, afirmou. No entanto, daqui a um ano, "provavelmente teremos uma aceleração do crescimento na segunda metade de 2003, a qual, em parte, será efeito de uma guerra rápida e bem-sucedida".
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AFP
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