| Reuters |
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| Aniversário de 14 anos do fim da guerra Irã-Iraque |
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Ás vésperas de uma provável ação militar contra Saddam Hussein, a administração de George W. Bush não se entusiasma muito com a evocação da aliança que o país manteve com o Iraque nos anos 80. Nesta época, os norte-americanos cultivaram relações muito próximas com Bagdá como parte de uma estratégia para combater o Irã, controlado pelo líder xiita aiatolá Ruholá Khomeini.
Seguindo o provérbio de que "o inimigo de meu inimigo é meu amigo", os Estados Unidos enviaram ao Iraque toneladas de armas para serem utilizadas contra o Irã, então um inimigo comum. A cooperação bélica se estendeu durante toda a guerra entre Iraque e Irã (1980-1988) e foi marcada pelos intercâmbios de informação militar e pelo envio de bombas de fragmentação através de uma companhia chilena e de venenos químicos e produtos bacteriológicos mortais.
Outro exemplo desta ligação é a visita feita pelo então conselheiro do presidente Ronald Reagan e hoje secretário de Defesa de Bush, Donald Rumsfeld, a Bagdá no dia 20 de dezembro de 1980. Saddam Hussein era então considerado como um parceiro estratégico para impedir o avanço de uma onda integrista muçulmana proveniente do Irã, mesmo que estivesse usando armas químicas apesar das proibições internacionais.
Em outro gesto de boa vontade para com Bagdá, em fevereiro de 1982, a administração Reagan decidiu suprimir o Iraque de sua lista negra de Estados terroristas, apesar dos protestos do Congresso. No entanto, Saddam Hussein ofereceu refúgio a Abu Abbas, chefe da Frente de Libertação Palestina, pouco depois de um desvio de um navio de passageiros em 1985, o Achille Lauro, numa operação terrorista em que foi assassinado um idoso norte-americano.
Documentos revelados recentemente mostram que os EUA já sabiam destes "deslizes" dos iraquianos. "É importante que nos aproximemos do Iraque rapidamente para preservar a credibilidade de nossa política em matéria de armas químicas, assim como para reduzir ou deter a utilização quase cotidiana destas armas pelo Iraque", indica o Departamento de Estado em um documento de 1º de novembro de 1983. O mesmo documento revela outro informe da Casa Branca que menciona um certo número de medidas que deveriam ser adotadas para prestar assistência ao Iraque, na época com problemas para enfrentar o Irã.
Mesmo frente às provas de cooperação com o regime de Saddam Hussein, ainda existem membros do governo Bush dispostos a defender a "integridade e inocência" norte-americanas. Richard Perle, um dos conselheiros do atual secretário de defesa dos Estados Unidos, diz que as seis horas que Rumsfeld passou em Bagdá dificilmente se igualam ao envio de um reator nuclear ao Iraque ordenado pelo atual presidente francês, Jacques Chirac. "Não armamos o Iraque, foram os franceses e os russos que o fizeram", disse Perle durante um debate público com o deputado ecologista francês Daniel Cohn-Bendit.
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