| Reuters |
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| Equilíbrio entre as diversas etnias e religiões pode ficar ameaçado |
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Uma guerra no Iraque poderia acabar com o delicado equilíbrio entre as diversas etnias e religiões do país depois de vários anos de uma união difícil e que, em algumas ocasiões, foi mantida a sangue e fogo. No Iraque vivem 25 milhões de pessoas, em sua maioria muçulmanos e cristãos árabes, mas também existem 4 milhões de curdos e 1,5 milhão de turcomanos, em um exercício de convivência que não foi fácil e que a campanha bélica dos Estados Unidos ameaça derrubar.
Os árabes se dividem entre uma maioria muçulmana xiita de mais de 60% da população, contra 30% de sunitas, além de 750 mil cristãos assírios, caldeus e armênios, ao redor de 200 mil sabeus e 75 mil iezites. O norte de Iraque faz parte da área geográfica conhecida como Curdistão - dividida entre o Iraque, Síria, Turquia e Irã -, uma zona que em sua parte iraquiana é montanhosa, rica em petróleo e é habitada por curdos e turcomanos.
Essa região está fora da autoridade de Bagdá desde a Guerra do Golfo de 1991, e atualmente é controlada pelo Partido Democrático do Curdistão (PDK), de Mosud Barzani, e a União Patriótica do Curdistão (UPK), de Jalal Talabani. O sonho separatista na região é antigo, assim como as contínuas tentativas do regime de mantê-la sob sua autoridade, com métodos cuja natureza repressiva foi denunciada por organizações defensoras dos direitos humanos.
Embora os Estados Unidos apóiem as intenções separatistas do norte curdo, os curdo-iraquianos terão que enfrentar a oposição do Governo de Ancara, que advertiu que entrará com suas tropas no Iraque para evitar que se proclame um estado curdo independente. A Turquia teme que o estabelecimento de um estado curdo no Iraque se estenda ao Curdistão turco, onde opera o separatista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).
Da mesma forma que no norte curdo sunita, o sul do Iraque - onde 65% da população é xiita - conta com a proteção militar dos caças-bombardeiros do Pentágono e do Reino Unido, nas zonas conhecidas como de exclusão aérea. A pertinência xiita da maioria da população nas províncias meridionais iraquianas, onde está situada a segunda maior cidade do país, Basra, poderia apoiar o desejo iraniano de estender sua influência a essa parte do Iraque. O Irã, país também muçulmano xiita que combateu o Iraque entre 1980-1988, tem um especial interesse em conseguir o apoio dos grupos do Iraque, o único país árabe com maioria de população xiita.
Apesar de Saddam Hussein e seu clã que governa em Bagdá serem sunitas, este grupo religioso é de fato uma minoria no país e se concentra nos arredores de Bagdá e as províncias do centro do estado, assim como na de Nineveh, no norte, com capital em Mossul. Assim como os curdos do norte, os xiitas do sul também sofreram fortes campanhas repressivas do regime de Saddam Hussein, e eles poderiam ver no conflito uma oportunidade de ouro para chegar ao poder sem problemas em Bagdá.
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