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Saddam e o Iraque
Tensão entre divisões do Islã marca vida iraquiana
 
AP
Embora o islamismo seja a religião oficial, o artigo 25 da constituição garante a liberdade religiosa às minorias
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A religião é uma das grandes fontes de conflito no Oriente Médio. Os problemas religiosos são marcados por grandes doses de violência e intolerância e no Iraque não é diferente. Só que ali a crise não se dá entre religiões, mas sim entre divisões dentro do próprio Islã.

De acordo com a agência vaticana Fides que analisa a situação iraquiana, a coexistência é boa entre religiões, mas difícil entre muçulmanos xiitas (62,5%), que consideram Ali, genro de Maomé, e seus descendentes como únicos califas legítimos, e os muçulmanos sunitas, fiéis à tradição e à ortodoxia do Alcorão.

Como o a minoria sunita se instalou no poder desde os anos 60 (com o partido Baath, dominado por Saddam Hussein) os xiitas tem sido sistematicamente perseguidos pelo regime. A situação piorou ainda mais após a guerra do Golfo, quando a maioria xiita organizou protestos contra Hussein, acreditando que ele seria derrubado.

Mas apesar disto, o país de Saddam Hussein é um dos poucos oficialmente laicos da região. Embora o islamismo, que é seguido por 97% dos 24 milhões de habitantes do país, seja considerada a religião oficial, o artigo 25 da constituição garante a liberdade religiosa às minorias. Estas são representadas pelos cristãos (a comunidade mais importante com 800 mil seguidores, cerca de 3% da população), seguidores de São João (cerca de 20 mil pessoas, que vivem no norte do Iraque e professam uma antiga religião que mescla islamismo e cristianismo) e judeus (2 mil pessoas que vivem em Bagdá, perto da única sinagoga do país).
 
Redação Terra