| Terra |
 |
| Iraque surgiu apenas depois da I Guerra Mundial |
 |
|
|
|
|
|
|
Quem vê o Iraque hoje, destruído por 12 anos de embargo econômico, acha difícil acreditar que o país foi fundado em um dos locais mais ricos da Terra. Localizado entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, os principais do Oriente Médio, o território iraquiano abrigou a Mesopotâmia, berço de algumas das mais importantes civilizações da Antigüidade.
A partir de 3000 a.C., sumérios, acádios, babilônios e assírios se substituíram como civilizações preponderantes na região. A movimentação destes diferentes grupos étnicos acabou por construir os primeiros impérios, as primeiras cidades da Antigüidade e algumas importantes invenções do homem, como a escrita e a legislação.
O território também foi conquistado por persas, gregos e romanos, e acabou por tornar-se o centro do Império Árabe nos séculos VIII e IX. Bagdá é um exemplo da importância local para os árabes, que a fundaram em 762, e a transformaram em um dos pólos culturais mais importantes do mundo. Na mesma época o islamismo, seguido atualmente por mais de 96% da população iraquiana, foi introduzido na região.
Depois desta fase áurea do Império Árabe, mongóis e turcos também invadiram a região. A estes ataques seguiu-se um longo período de decadência, que só teve fim quando um governante chamado Midhat Paxá conseguiu minimizar os estragos causados por séculos de conflitos. Paxá foi o responsável pela reestruturação administrativa e o estímulo a sedentarização das tribos nômades. Os britânicos, que tinham interesses na região pelo menos desde 1807, quando seus cônsules foram instalados em Bagdá, também influenciaram a mudança.
No século seguinte, a região passou por uma era de crescimento econômico e de desenvolvimento, após a implantação da navegação, do telégrafo e da construção de linhas ferroviárias. Contribuiu também para o progresso a reconstrução dos canais de irrigação, que viabilizaram a agricultura na região apesar da alta salinidade do solo e do clima árido.
No início do século XX, a descoberta de uma das maiores reservas de petróleo do Oriente Médio transformou a região que seria o Iraque em alvo dos interesses colonialistas de todo o Ocidente.
O Iraque moderno
O Iraque surgiu apenas depois da I Guerra Mundial, quando o Império Turco-Otomano foi desmembrado. No Tratado de Sèvres, assinado em 1920, os vencedores da guerra, por meio da Liga das Nações, transformaram as áreas árabes em "mandatos", geridos por governos europeus.
O novo país foi colocado então sob a tutela do Reino Unido, que instalou, em 1921, o monarca árabe da dinastia hachemita, Faisal Hussein. A medida não foi aceita sem reação. Não só no Iraque, mas em todos os outros protetorados, a população nativa rebelou-se contra os europeus. Entretanto, o movimento não tinha líderes e o comando britânico, que chegou a usar gás mostarda contra a população, sufocou o protesto. Durante os 40 anos seguintes, o Reino Unido manteve seu poder sobre Bagdá - controlando seu governo e, com isso, obtendo direitos exclusivos de exploração do petróleo.
O Iraque só conseguiu a independência quando, em 1958, um grupo de militares depôs a monarquia Faisal, controlada pelos britânicos. O grupo de nacionalistas do Partido Baas, liderados por Abdul Karim Kassen, tomou o poder e só o deixou em 1968, quando o Baath, partido de Saddam Hussein, chegou ao poder.
|