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A guerra dos Bush
Guerra do Golfo isolou o Iraque do mundo
 
Gabriela Escobar
 
Reuters
Em novembro de 1990, a ONU autorizou o uso da força para libertar o Kuwait
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O mundo sempre soube que o ditador iraquiano, Saddam Hussein, tinha planos para transformar seu país em uma superpotência no Oriente Médio, mas ninguém, aparentemente, esperava que ele chegasse a invadir um país vizinho. Entretanto, no dia 1º de agosto de 1990, as tropas do Iraque invadiram o pequeno emirado do Kuwait.

Os motivos alegados por Saddam para a invasão foram a posse dos portos de Bubián e Uarba, que lhe dariam novos acessos ao golfo Pérsico, o perdão de uma dívida de US$ 10 bilhões contraída durante a guerra contra o Irã, e o pagamento de US$ 2,4 bilhões pela extração de petróleo em campos que seriam, segundo a ótica do ditador, iraquianos. Além disto, o Iraque acusava o governo do Kuwait de derrubar o preço do petróleo com uma política de superextração.

Apostando na superioridade militar contra possíveis reações locais e que a privilegiada relação com os EUA - construída ao longo da guerra com o Irã - impediria uma retaliação internacional, o Iraque sequer buscou aliados para a ação. Saddam Hussein também parece ter contado que a União Soviética conteria uma possível ação dos EUA contra seu plano, o que não aconteceu.

No dia 6 de agosto, a ONU aprovou um embargo comercial ao Iraque até que suas tropas saíssem do Kuwait. Ao invés de se render, Saddam ignorou a ordem das Nações Unidas e tentou negociar o apoio de outros países árabes. Sozinho, a situação do ditador piorou ainda mais quando ele anunciou que todos os cidadãos ocidentais no Iraque seriam tratados como "hóspedes", ou seja, reféns.

No dia 29 de novembro, a ONU autorizou seus integrantes a usarem a força para libertar o Kuwait e estabeleceu um prazo para a retirada do Iraque: até 15 de janeiro de 1991. Estados Unidos, Inglaterra, França, Arábia Saudita, Egito, Síria, Itália e outros 21 aliados formaram o maior exército reunido desde a II Guerra Mundial e iniciaram a preparação da operação que ficou conhecida como "Tempestade no Deserto".

No dia 16 de janeiro, começou o ataque aéreo sobre Bagdá. Em 27 de fevereiro, o Iraque se rendeu. Na contabilidade da guerra se somam na coluna dos mortos 100 mil soldados e 7 mil civis iraquianos, 30 mil kuwaitianos e 510 homens da coalizão. Outro resultado negativo foi o grande desastre ambiental gerado pelos poços de petróleo incendiados pelas tropas iraquianas durante a retirada do Kuwait e o óleo jogado no golfo. Após a rendição, o Iraque teve de aceitar a inspeção de suas instalações nucleares e sofre até hoje com o embargo econômico internacional.
 

Redação Terra