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| Durante uma parada militar em Bagdá, o ditador iraquiano dá tiros para cima |
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A única possibilidade de o Iraque resistir com êxito à investida inicial do ataque norte-americano representa o pior dos cenários de guerra para o governo Bush, com suas tropas sendo obrigadas a lutar nas ruas de Bagdá, em meio a milhares de civis. Isso pode se transformar em um pesadelo para os Estados Unidos e em uma oportunidade para Saddam Hussein impor um dano político ao presidente George W. Bush, com as imagens, exibidas em todo o mundo, de uma força militarmente superior lutando no meio de uma população indefesa.
Porém, a resistência iraquiana também envolve outras ameaças. Os Estados Unidos temem o ataque com armas químicas ou biológicas, a ação terrorista além das linhas de combate e o uso de reféns como escudos humanos. Estes recursos são considerados possíveis pelos estrategistas dentro do que chamam de "guerra assimétrica".
No entanto, militares norte-americanos garantem que suas tropas estão preparadas para os combates urbanos. "Se vamos desarmar uma nação, é preciso desarmá-la em todas as partes. Portanto, Bagdá é parte disso", afirmou uma fonte do Pentágono que não quis revelar sua identidade.
Cercada pela defesa antiaérea e protegida por uma força de elite, Bagdá é a capital de Estado mais resguardada do mundo. Ao redor do perímetro urbano, trincheiras inundadas de petróleo estão prontas para serem queimadas de forma a impedir a passagem de forças inimigas. Antes de marchar sobre Bagdá, os Estados Unidos deverão evitar eventuais ataques químicos e biológicos, além de ter muito cuidado com centenas de refugiados em pânico.
Oficiais da Guarda Republicana iraquiana representam outro obstáculo para a rápida entrada das tropas norte-americanas na cidade, mas o Pentágono planeja aniquilá-los com um ataque aéreo. Só no sul de Bagdá, pelo menos 15 mil oficiais especialmente treinados para os combates urbanos, estarão posicionados em locais estratégicos. Outras divisões da Guarda Republicana especial, a Madina al Munawara, protege com blindados os subúrbios de Bagdá e uma terceira divisão, a mecanizada Adnan, foi mobilizada do norte do país para participar do esquema de defesa urbano.
Uma unidade especial, integrada por 15 mil oficiais e liderada por Uday, filho de Saddam Hussein, está encarregada de reprimir eventuais revoltas entre a população civil e conta com o apoio de 25 mil membros dos serviços especiais e de inteligência do país. Porta-vozes do Pentágono afirmaram que a estratégia de Saddam Hussein inclui a falsificação de uniformes do exército norte-americano e britânico para os membros de suas forças, com a intenção de ordenar a matança indiscriminada de civis e depois acusar os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Depois da experiência da II Guerra Mundial, os estrategistas militares dos Estados Unidos evitam os combates nas cidades por causa da quantidade de vítimas em potencial.
O tenente-general William Wallace, comandante do Quinto Corpo do Exército no Kuwait, afirmou ao jornal New York Times que não haverá uma "rajada de bombas" sobre Bagdá, mas destacou que a estratégia norte-americana inclui a ação combinada de helicópteros de assalto, oficiais de infantaria e blindados. Além disto, os Estados Unidos pretendem incluir as forças iraquianas num "cone de silêncio", obstruindo suas comunicações e impedindo que suas tropas se reagrupem.
A possibilidade de um cerco à cidade, que incluiria cortes no fornecimento de água e energia, foi levantada, mas especialistas desconfiam da conveniência desta empreitada. Michael O'Hanlon da Brookings Institution, por exemplo, diz não acreditar que os EUA possam "sentar nas proximidades de Bagdá indefinidamente, deixando que Saddam Hussein decida quantos civis vai assassinar".
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