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Guerra no Iraque
Sexta, 14 de março de 2003, 05h35 
Cresce boicote a produtos franceses nos EUA
 
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O boicote à França cresce nos Estados Unidos, motivado pela questão do Iraque: as french fries (batatas fritas) e o french kiss (beijo de língua) foram rebatizados, a Casa Branca não esconde seu aborrecimento, e uma deputada pede que os restos dos soldados americanos mortos na França durante a Segunda Guerra Mundial sejam repatriados.

A deputada Ginny Brown-Waite incentivou hoje as famílias dos soldados enterrados na França e Bélgica depois da Segunda Guerra a repatriá-los, "para que não descansem em um país que dá as costas para os Estados Unidos". Este projeto de lei da deputada republicana reflete o crescente sentimento contra a França entre os que apóiam o presidente George W. Bush.

"Eu e muitos outros americanos não achamos que o governo francês aprecie os sacrifícios que nossos homens e mulheres uniformizados fizeram para defender a liberdade de que a França desfruta hoje", diz o comunicado de Ginny.

Quebrando semanas de silêncio, o porta-voz da Presidência Ari Fleischer classificou de "não razoável" a intenção do presidente francês, Jacques Chirac, de vetar o projeto de resolução que está sendo discutido no Conselho de Segurança da ONU. Fleischer negou-se a condenar os pedidos de boicote a produtos franceses nos Estados Unidos.

Uma loja de bebidas americana se desfez de seu estoque de vinho francês, e um bom número de restaurantes rebatizaram as "french fries" de "freedom fries". Campanhas pela internet pedem ainda que o "french kiss" tenha seu nome substituído por "ato patriótico".

A embaixada francesa está sendo bombardeada com protestos, mas destaca que um número significativo de americanos está expressando seu apoio à posição pacifista. Há deputados que criticam o boicote à França. O democrata José Serrano, de Nova York, questionava em um comunicado se também deveriam ser banidos os waffles belgas ou a salada russa.

Na página da deputada Ginny na internet, um anônimo publicou: "Estamos todos loucos? Deixem esses homens e mulheres descansarem em paz. Não temos dinheiro para a educação e os problemas sociais, e a senhora quer exumar 56 mil corpos e trazê-los para os Estados Unidos? Está indo longe demais!"
 

AFP

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