|
A campanha militar anglo-americana no Iraque durou 26 dias desde o início dos bombardeios a Bagdá, em 20 de março. O anúncio oficial da queda de Tikrit , em 14 de abril, foi a confirmação simbólica do fim do regime de Saddam Hussein, após 24 anos a frente do Iraque. A campanha anglo-americana destruiu o país e deixou um saldo de centenas de civis mortos, sem que as supostas armas de destruição em massa do regime de Saddam, que serviram como justificativa para a ofensiva anglo-americana legitimar o ataque, fossem encontradas.
Os Estados Unidos começaram a administrar o país logo após o fim oficial da guerra, declarado pelo presidente George W. Bush no dia 1º de maio. O administrador escolhido por Bush foi Paul Bremer. Ele ficou responsável pelo comando da reconstrução e da reabilitação política do Iraque após a derrubada de Saddam.
Em 22 de maio, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, por 14 votos a zero, a resolução proposta pelos EUA que pôs fim a quase 13 anos de sanções contra o Iraque. A resolução permitirá impulsionar a reconstrução do país. A medida, que teve a abstenção da Síria, dará aos EUA e à Grã-Bretanha amplos poderes para administrar o Iraque e vender petróleo para pagar pela reconstrução do país. A Austrália e a Espanha co-patrocinaram a iniciativa com os EUA.
Vítimas do conflito
Ao contrário do que o Pentágono havia prometido antes da guerra, diversos civis iraquianos morreram vítimas de bombardeios e ações equivocadas das tropas da coalizão. A avançada tecnologia, com as bombas inteligentes, nem sempre acertou os alvos militares desejados, mas sim mercados públicos e residências. Até o dia 3 de abril, o extinto regime de Saddam Hussein havia comunicado que a guerra provocara 1.254 mortes de civis.
O último balanço divulgado pelo Pentágono sobre soldados norte-americanos mortos na guerra ocorreu no dia 18 de abril e apontava 127 oficiais vítimas da ofensiva. Desse total, 110 foram classificados como mortos em combate e 17 como vítimas de acidentes ou incidentes "não-hostis".
A velocidade e o ritmo da guerra impostos pelos americanos dificultaram as tentativas de os iraquianos montarem uma resistência organizada. O comando militar iraquiano perdeu o controle no começo da guerra e nunca o reencontrou. Algumas unidades das forças iraquianas foram destruídas, mas muitas simplesmente se desfizeram por motivos internos. Seus soldados fugiram e abandonaram o equipamento.
Uma grande parte das forças regulares do Iraque não chegou nem a entrar em combate. Mesmo a estratégia de "guerrilha urbana" de Saddam Hussein, que pretendia deixar forças americanas e britânicas entrarem nas cidades para serem então atacadas por combatentes que não faziam parte das Forças Armadas do país árabe, não mudou em nada o rumo da guerra.
A campanha anglo-americana revelou ainda o poder do ex-ditador iraquiano no país. Imagens de Saddam podiam ser vistas em todos os cantos, em todas as cidades, em estátuas, painéis, pôsteres. A medida em que a coalizão ia ocupando o território, as imagens iam sendo destruídas. O auge ocorreu na tomada de Bagdá, quando uma grande estátua de Saddam, no centro da capital, foi derrubada em um espetáculo televisionado, organizado pelos soldados norte-americanos, e que contou com a participação da população local.
A idéia de iniciar uma guerra contra o Iraque para derrotar Saddam Hussein era um projeto que foi discutido em Washington antes da chegada de George W. Bush à Casa Branca. Mais especificamente remontam ao fim da guerra do Golfo, em 1991, quando alguns integrantes da ala mais moderada do governo, entre eles o atual secretário de Estado, Colin Powell, na época chefe do Estado Maior das Forças Armadas, convenceram George Bush pai a limitar suas ações à expulsão dos iraquianos do Kuwait.
Decepcionados com a decisão de não invadir Bagdá como conseqüência da libertação do Kuwait em 1991, grande parte da administração norte-americana queria desde então um ataque ao Iraque para forçar uma mudança de regime e, segundo analistas internacionais, obter o controle do petróleo que jorra em abundância no Iraque.
|