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Os parentes de um cinegrafista espanhol morto em abril pelo disparo de um tanque norte-americano contra o hotel em que se hospedava, em Bagdá, entraram com uma ação nesta terça-feira pedindo que a Justiça da Espanha investigue e julgue três militares dos EUA pelo incidente. O pedido judicial apresentado à Audiência Nacional (o segundo tribunal mais importante da Espanha) diz que as circunstâncias da morte do cinegrafista José Couso "constituem crimes de guerra da perspectiva do direito internacional".
A ação também pede a prisão preventiva dos três militares norte-americanos supostamente responsáveis pela morte do cinegrafista. Couso, de 37 anos, cobria a guerra para a emissora Telecinco. Ele foi morto em 8 de abril numa sacada do Hotel Palestine, onde a imprensa estrangeira estava hospedada. No mesmo ataque morreu também o cinegrafista ucraniano Taras Protsyuk, de 35 anos, da Reuters.
No começo deste mês, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, se referiu ao caso como "um acidente de guerra". Os militares dos EUA dizem que o tanque disparou contra o hotel porque estaria sendo alvejado por atiradores postados no local.
A advogada Pilar Hermoso, que representa a família Couso, disse que a lei espanhola e o direito internacional autorizam que o país julgue supostos criminosos de guerra, mesmo com relação a fatos ocorridos no exterior. Nunca um tribunal espanhol julgou um crime de guerra. Hermoso admitiu que dificilmente os três norte-americanos serão extraditados para a Espanha.
O futuro da ação pode depender em grande medida do juiz que a receba. Os mais cotados são Guillermo Ruiz Polanco e Baltazar Garzón, famoso por sua tentativa de punir o ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Os três norte-americanos acusados na ação são o sargento Gibson (seu prenome não foi fornecido), o capitão Philip Wolford e o tenente-coronel Philip de Camp.
A família Couso disse que, se a Audiência Nacional não aceitar o caso, haverá recurso ao Supremo Tribunal. O Pentágono não comentou o caso. No ano passado, os Estados Unidos rejeitaram a criação do Tribunal Penal Internacional, da ONU, justamente por temer que seus soldados pudessem ser objeto de ações como essa.
Paralelamente, um grupo de advogados e jornalistas está fazendo uma sindicância sobre a morte de Protsyuk. "Esperamos que ela esteja completa nas próximas semanas", disse uma porta-voz da agência. "A prioridade é descobrir os fatos. Até que tenhamos todos eles, não podemos determinar quais os próximos passos a tomar", continuou.
Na terça-feira, o Comitê para a Proteção de Jornalistas divulgou um relatório em que afirma que a morte dos dois cinegrafistas "apesar de não ter sido deliberada, podia ser evitada". A entidade independente, com sede em Nova York, pediu ao Pentágono que faça novos esclarecimentos sobre o caso.
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