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Guerra no Iraque
Segunda, 19 de maio de 2003, 20h34 
Cartas, estátuas e bandeira são símbolos da guerra
 
AP
Soldado americano coloca bandeira dos EUA na estátua de Saddam Hussein
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Em um ato de criatividade, os Estados Unidos entregaram o presidente deposto Saddam Hussein e seus assessores nas mãos de seus soldados - no formato de cartas de baralho. Um pacote com 55 cartas traziam o rosto dos mais procurados pelas forças da coalizão. O que parecia ser brincadeira, acabou dando resultado. Até o dia 12 de maio, os Estados Unidos já haviam detido 20 importantes iraquianos.

A idéia acabou virando moda. Na Austrália, os praticantes de golfe já descarregam sua ira contra Bin Laden, Saddam e companhia dando-lhes algumas tacadas. A vingança é possível graças a uma coleção de bolas de golfe que traz estampados os rostos de Osama Bin Laden, do ex-presidente iraquiano Saddan Hussein, do ex-ministro das Relações Exteriores Tareq Aziz e do ex-ministro de Informações Mohammad Saeed al-Sahaf.

Mas talvez o mais importante símbolo da guerra tenha sido o próprio Saddam Hussein. O ditador podia ser visto em todos os cantos, em todas as cidades, em estátuas, painéis, pôsteres, etc. A medida em que a coalizão ia ocupando, as imagens iam sendo destruídas. O auge foi na tomada de Bagdá, quando uma grande estátua de Saddam, no centro da capital, foi derrubada em um espetáculo televisionado, organizado pelos soldados norte-americanos.

Aliás, foram os soldados os protagonistas de um dos maiores atos falhos registrados na guerra: a mania de norte-americano de agitar a bandeira de estrelas e listras quando conquistam um território. Mas no Iraque eles aprenderam que essa é uma maneira eficiente de fazer inimigos. Vários incidentes, alguns deles fatais, mostraram que uma multidão amistosa pode se voltar contra as tropas dos EUA ao primeiro sinal de que elas vão hastear a bandeira de seu país ou arriar a do Iraque. Afinal, destruir retratos de Saddam Hussein é uma coisa, mas mostrar desrespeito pelo pavilhão nacional é outra, bem diferente.

Em Mossul, no norte do país, marines dos EUA mataram pelo menos sete pessoas que participavam de um protesto que começou quando os soldados colocaram uma bandeira norte-americana em um edifício público.

Uma das imagens mais conhecidas da Segunda Guerra Mundial é a foto dos marines hasteando a bandeira dos EUA em Iwo Jima, em 1945. Talvez inspiradas nessa cena, tropas dos EUA costumam erguer sua bandeira na primeira oportunidade que têm. Na atual guerra, os comandantes pediram incessantemente a seus subordinados que evitassem o gesto, embora muitos não resistissem à tentação de colocar a bandeira nos jipes Humvee.

No segundo dia da guerra, os marines ergueram a bandeira no porto de Umm Qasr. Semanas mais tarde, quando uma estátua de Saddam foi derrubada no centro de Bagdá, lá estava ela novamente, na cabeça da escultura.
 

Redação Terra