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Guerra no Iraque
Segunda, 19 de maio de 2003, 20h28 
Guerra tecnológica não foi capaz de poupar vidas
 
Reuters
Ali Ismail Abbas, de 12 anos é a imagem das vítimas da guerra: sem braços e sem família
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Ao contrário do que o Pentágono havia prometido antes da guerra, diversos civis iraquianos morreram vítimas de bombardeios e ações exageradas das tropas da coalizão. A avançada tecnologia, com as bombas inteligentes, nem sempre acertou os alvos desejados, mas sim mercados públicos e residências.

A barreira da língua também acabou sendo responsável por incidentes, nos quais militares atiraram contra veículos que não obedeceram a ordens de parar. No entanto, dentro desses veículos havia familiares que, provavelmente, não entenderam a determinação. Mesmo após o fim da guerra, os civis continuaram morrendo em confrontos e manifestações.

Um membro australiano da Comissão de Compensação da ONU, criada para ajudar as vítimas da Guerra do Golfo (1991), pediu o pagamento de indenizações para as famílias iraquianas vítimas do atual conflito. Michael Pryles, professor de direito internacional em Melbourne, estimou que há uma necessidade urgente de fundos para os iraquianos feridos ou que perderam seus familiares durante os ataques da coalizão anglo-americana.

O Ministério dos Assuntos Exteriores da Suíça publicou uma lista com o número crescente de vítimas civis do ataque anglo-americano contra o Iraque. A relação está disponível na Internet para consulta no endereço www.dfae.admin.ch.

O problema está na dificuldade de obter listas que sejam confiáveis. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha, por exemplo, confessa não dispor de meios suficientes para isso. O Ministério suíço dos Assuntos Exteriores reconhece que não tem informações privilegiadas, mas, como explica um de seus porta-vozes, Muriel Berset-Kohen, "vão ser utilizadas diferentes fontes públicas". "Temos consciência da dificuldade de dar uma imagem precisa da situação, mas o objetivo é sensibilizar as pessoas", comentou.

Até o dia 3 de abril, o regime de Saddam Hussein havia comunicado que a guerra provocara 1.254 mortes civis.

Números do Pentágono

O último balanço divulgado pelo Pentágono sobre soldados norte-americanos mortos na guerra no Iraque ocorreu no dia 18 de abril e apontava 127 oficiais vítimas da ofensiva. Desse total, 110 foram classificados como mortos em combate e 17 como vítimas de acidentes ou incidentes "não-hostis". Dois soldados norte-americanos estavam desaparecidos.

Após a guerra, foram registrados ataques contra soldados, como ações suicidas e o uso de granadas. Com a ausência de resultados positivos, muitos iraquianos se revoltaram ainda mais com a presença dos Estados Unidos no país e iniciaram ataques independentes.

Resgate ou exagero?

A história deve virar filme em 2004, mas há quem diga que tudo não passou de um circo montado pelos soldados norte-americanos. Jessica Lynch, 19 anos, foi a soldado resgatada de um hospital de Nassiriya, no sul do Iraque, depois de uma intensa e corajosa operação, de acordo com os Estados Unidos.

Pela versão norte-americana, Lynch foi capturada pelas forças iraquianas durante uma emboscada no dia 23 de março nas cercanias de Nassiriya e resgatada em 1º de abril depois que o advogado iraquiano Mohamed Odeh Al Rehaief informou às tropas americanas sobre seu paradeiro. O caso foi tão importante que o governo dos Estados Unidos concedeu asilo político a um advogado iraquiano - junto com sua mulher e filha - que ajudou no resgate da soldado. No entanto, médicos iraquianos deram uma nova versão para o resgate. Eles disseram que ela nunca foi baleada, mas teria quebrado a perna em um acidente de caminhão. Um ortopedista afirmou que não havia iraquianos no hospital, mas que operou a Jessica com uma arma na cabeça, apontada por um americano. O comando militar dos Estados Unidos afirmou que Jessica está com amnésia.

O desembarque da soldado nos Estados Unidos, em um avião militar, junto com 50 feridos de guerra, foi transmitido ao vivo por redes de TV, tornando Jessica, 19, uma espécie de heroína americana da guerra. A rede de televisão NBC vai transformar o resgate em um filme, com ou sem a permissão dela ou de sua família. O fato foi conhecido após declarações de porta-vozes da rede à revista Variety. Eles disseram estar convencidos do potencial da história, que possivelmente será um filme de duas horas para a televisão.

Além de Lynch, outros sete soldados mantidos prisioneiros por iraquianos foram resgatados durante a guerra. O grupo era composto pelos cinco primeiros militares capturados por iraquianos, cujas imagens foram divulgadas pela televisão iraquiana, e mais dois pilotos presos também no início do conflito. A divulgação das imagens pela televisão iraquiana gerou desconforto para os Estados Unidos que acusou o Iraque de não obedecer a Convenção de Genebra.

A luta solitária de um menino

O menino iraquiano Ali Ismail Abbas, de 12 anos, acabou virando um símbolo dos civis vítimas da guerra. Ele teve os dois braços amputados, além de perder seus pais e seu irmão num bombardeio em Bagdá. Sua imagem foi divulgada, mas seu drama custou a ser solucionado. Internado em um hospital iraquiano, o garoto corria risco de pegar uma infecção e morrer. Com a intensa repercussão do caso, autoridades do Kuwait decidiram recebê-lo.

Cantores e astros de Hollywood se reuniram com o objetivo de transferir para os Estados Unidos, onde passaria por um tratamento médico, o menino iraquiano que foi mutilado e ficou órfão durante a guerra, cuja história tornou-se um símbolo do sofrimento da população civil durante o conflito no Iraque.

Arnold Schwarznegger, Angelina Jolie, Mariah Carey, Christina Aguilera, George Clooney, Julia Roberts e Justin Timberlake são alguns dos astros que se uniram para que Ali Ismail Abbas, 12, seja levado para Los Angeles, informou o assessor de celebridades e marqueteiro Cheryl Shuman.

Velhas novas vítimas

Apesar de terminada a guerra, novas tragédias vieram à tona. Diversas valas comuns começaram a ser descobertas e milhares de vítimas do regime de Saddam Hussein localizadas, desde a queda do ditador, no dia 9 de abril. Washington referiu-se muitas vezes às táticas brutais do governo de Saddam para justificar a guerra deste ano para derrubar o presidente iraquiano. Foram encontradas valas nas localidades da cidade de Babilônia (15 mil pessoas), quatro sítios na cidade de Al Hilla (15 mil cadáveres), Abul Khasib (sul do país com 40 corpos, possivelmente desde 1991) e em Nassiriya.

Uma das descobertas mais chocantes ocorreu no dia 3 de maio. Iraquianos descobriram uma vala comum que remonta ao levante contrário ao regime de Saddam Hussein, brutalmente reprimido em 1991. Eles desenterraram dezenas de ossos envolvidos em cobertores manchados, além de crânios com cortes retangulares na parte posterior. Os fuzileiros norte-americanos, que isolaram o local antes da chegada dos médicos legistas, disseram ter encontrado documentos datados de 1990 e agulhas espalhadas sobre os corpos, numa aparente tentativa de impedir que cães e gatos vasculhassem o local.

Os iraquianos disseram estar à procura de seus filhos, irmãos, pais e uma mãe que, segundo eles, foram levados de suas casas em 1991 durante a rebelião deflagrada logo após a guerra do Golfo. Alguns afirmaram que já sabiam da existência desse local, mas jamais ousaram escavá-lo com o presidente Saddam Hussein no poder.
 

Redação Terra