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Guerra no Iraque
Segunda, 19 de maio de 2003, 20h21 
EUA ficam no Iraque por tempo indeterminado
 
Reuters
O novo administrador norte-americano para o Iraque, L. Paul Bremer (à esquerda) assumiu a função de Jay Garner (à direita)
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Sem determinar até quando vão ficar no Iraque, os Estados Unidos começaram a administrar o país logo após o fim oficial da guerra, declarado pelo presidente George W. Bush no dia 1º de maio. O administrador escolhido por Bush foi L. Paul Bremer. Ele ficou responsável pelo comando da reconstrução e da reabilitação política após a guerra que derrubou Saddam Hussein. Bremer assumiu o posto até então ocupado pelo chefe do Estado Maior do EUA, e Jay Garner, general reformado.

Bremer, 61 anos, foi assessor dos ex-secretários de Estado dos EUA William P. Rogers e Henry Kissinger. Foi embaixador antiterrorismo entre 1986 e 1989 e embaixador na Holanda. Mais recentemente foi presidente da empresa de consultoria Marsh Crisis.

Entre as decisões de Bremer está a possível dissolução do ex-aparato de defesa e de segurança de Saddam Hussein, incluindo a Guarda Republicana e a Guarda Republicana Especial. Os EUA já decretaram o fim do Partido Baath, de Saddam, que governava o Iraque desde 1968. Apesar disso, os norte-americanos garantem que está de pé a formação do novo governo interino, composto por grupos de oposição ao deposto regime de Saddam Hussein. As autoridades ocidentais anunciaram, porém, a intenção de proibir entre 15 mil e 30 mil militantes do Partido Baath nessa nova formação.

Uma ordem assinada por Paul Bremer oferece recompensas por informações que levem à captura dos principais dirigentes do partido e de "indivíduos que cometeram crimes para o antigo regime". Estima-se que, do total de baathistas a serem banidos, cerca de 2 mil tinham cargos em ministérios. Vários deles, porém, já deixaram seus postos, o que diminui o número de pessoas a serem examinadas. A avaliação incluirá também juízes, professores universitários e administradores de hospitais.

A nomeação de Bremer faz parte da remodelação da equipe pós-guerra dos EUA no Iraque, em meio à contínua frustração com seus esforços de restaurar os serviços públicos essenciais e estabilizar o país. Os iraquianos reclamam que o progresso é muito lento. Bagdá segue sem eletricidade e água corrente em muitos bairros. A maioria das lojas está sem abrir por medo dos saques, a delinqüência aumentou e o lixo se acumula. Além disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou uma epidemia de cólera foi detectada na região de Basra, Sul do Iraque.

Dentro da estratégia de administração, os Estados Unidos querem que a Organização das Nações Unidas suspendam as sanções impostas contra o Iraque, dando a Washington e a seus aliados, controle sobre a venda do petróleo produzido no país. A ONU está analisando uma resolução de oito páginas assinada pelos EUA, Reino Unido e Espanha, nesse sentido.

  • Os principais pontos da resolução.

    Os Estados Unidos garantem que o dinheiro resultante do petróleo será utilizado para a reconstrução do Iraque e para a ajuda humanitária. No entanto, há pessoas que acreditam haver uma outra finalidade por trás. Poul Nielson, comissário (ministro) da União Européia disse que os Estados Unidos estão, na sua opinião, querendo assumir o controle do petróleo iraquiano, o que seria uma maneira de "virarem membros da Opep". A mesma opinião é repartida pelos próprios iraquianos, que já não se mostram mais entusiasmados com a presença norte-americana no país.
     

  • Redação Terra