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Guerra no Iraque
Segunda, 19 de maio de 2003, 19h49 
Guerra paralela: EUA tentam boicotar França
 
Reuters
Os ministros das Relações Exteriores da França, Rússia e Alemanha, as 3 nações que foram contra os EUA
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Além da guerra no Iraque, o Ocidente viveu uma guerra de acusações e boicotes envolvendo Estados Unidos e França (Alemanha e Rússia também). O motivo foi o não apoio à guerra por parte das três nações, o que provocou a ira norte-americana. Não só o governo de Bush começou a elaborar formas de punição à França, como a população se encarregou de boicotar produtos franceses. Claro que os europeus não deixaram por menos e tomaram a mesma atitude.

O governo francês denunciou oficialmente ser vítima de uma "campanha organizada de desinformação" que a Casa Branca não evita. A carta da chancelaria francesa inclui uma lista de artigos da imprensa americana, começando com um do jornal New York Times, que acusa a França de vender armas ao Iraque, até um do Washington Times, que denuncia Paris por emitir passaportes para funcionários iraquianos em fuga após a derrocada de Saddam Hussein.

Entre as outras acusações que o governo da França considera falsas e foram publicadas, aparece a informação de que Paris teria amostras do vírus da varíola e que companhias francesas teriam vendido peças para a infra-estrutura militar iraquiana, violando o embargo da ONU.

Condolezza Rice, conselheira de segurança nacional do presidente norte-americano, George W. Bush, acusou França e Alemanha de terem "mantido a Otan como refém". "Foi preocupante que Alemanha e França tentassem evitar que a Otan reforçasse a segurança da Turquia. Houve muitas coisas preocupantes nesse processo".

Os Estados Unidos podem tentar excluir a França de decisões importantes na Otan como conseqüência da oposição do país à guerra. Autoridades norte-americanas têm procurado traçar um meio termo cauteloso entre a irritação com a França pela atitude de vetar todas as resoluções da ONU, autorizando a guerra e a necessidade de manter relações com o país, um dos mais antigos aliados dos Estados Unidos.

Segundo uma fonte do Pentágono, o Departamento de Defesa está pensando em adotar uma "retaliação" contra a França. Uma autoridade do alto escalão do governo norte-americano disse que uma das formas com que a França pode sentir as conseqüências de sua atitude seria dentro da Otan, onde as decisões são geralmente tomadas pelo Conselho do Atlântico Norte (CAN), que reúne todos os 19 membros da aliança ocidental, mas que também podem ser tomadas pelo Comitê de Planejamento de Defesa da Otan, que exclui a França.

Boicotes EUA x Europa

O jornal The New York Times publicou em uma de suas edições um anúncio que convocava os americanos a um boicote aos produtos e serviços franceses. A propaganda foi paga pelo site de notícias conservador "NewsMax.com", que cita dezenas de empresas ou produtos franceses, como Air France, Michelin, Bic, Givenchy, Lancôme, Le Creuset, Club Med, Peugeot, Publicis, Elle e Yoplait.

A provocação foi ainda mais longe: as french fries (batatas fritas) foram rebatizadas de "freedom fries" (batatas da liberdade) e o french kiss (beijo de língua) passou a ser chamado de "ato patriótico".

Até mesmo no vôo do presidente norte-americano George W. Bush a bordo do Air Force One foi dado "au revoir" (adeus) à "French toast" (rabanada francesa) e olá à "rabanada da liberdade". O prato estava no topo do menu de café da manhã, numa sutil provocação aos franceses.

Na Europa, nada de Coca-Cola, Budweiser, Marlboro, whisky do Tennessee ou mesmo cartões American Express. Um número cada vez maior de restaurantes da Alemanha está tirando tudo que for norte-americano de seu cardápio, em protesto contra a guerra no Iraque. Em dezenas de locais de Hamburgo, Berlim, Munique, Bonn e outras grandes cidades, os garçons estão dizendo: "Desculpe, mas a Coca-Cola não está disponível devido à atual situação política".

A rede de lanchonetes McDonald's foi uma das mais visadas, registrando incidentes de depredação contra lojas da rede em lugares tão distantes quanto a França ou a Indonésia. A fábrica alemã de bicicletas Riese und Müeller cancelou todos os contratos com fornecedores norte-americanos.

Assim como os norte-americanos rebatizaram jocosamente as batatas fritas de "batatas livres", algumas padarias alemãs inventaram que a rosca doce conhecida como "Amerikaner" agora se chama "Peace-ies".
 

Redação Terra