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Funcionários e fontes de inteligência norte-americanos são a origem de uma campanha de desinformação contra a França que se arrasta há vários meses, disse ontem o embaixador francês nos Estados Unidos, Jean David Levitte.
"Quando os jornais falam de funcionários, ou fontes de inteligência e coisas do estilo, devo acreditar que isto provém de funcionários ou de fontes de inteligência norte-americanos", criticou Levitte, em entrevista à rede PBS. "Continuo sem entender por quê, entre duas grandes nações, não podemos ter um debate sobre uma guerra, com alguns de acordo e outros não, mas sempre dentro do debate respeitoso", acrescentou.
"Vejo uma e outra vez este tipo de acusação contra a França, e digo: já chega. Vamos parar com isso e passar a uma visão positiva sobre nossa cooperação para o futuro", sugeriu, acrescentando que "simplesmente peço um debate respeitoso entre os Estados Unidos e a França". "Agora que a guerra terminou, estamos dispostos a resolver os nexos e trabalhar junto com os Estados Unidos como aliados verdadeiros e amigos", continuou.
O governo francês denunciou oficialmente esta quinta-feira ser vítima de uma "campanha organizada de desinformação" que a Casa Branca não evita, mas a administração americana negou o fato. "Não podemos aceitar que sejam feitas críticas tão infundadas contra a França. Que haja diferenças, que haja opções que não sejam as mesmas, é uma coisa, mas nos envolvermos em polêmicas deste tipo não é aceitável", declarou o chanceler francês, Dominique de Villepin, que confirmou o envio de uma carta de Levitte, pedindo um esclarecimento a Washington.
A carta da chancelaria francesa inclui uma lista de artigos da imprensa americana, começando com um do jornal "New York Times", que acusa a França de vender armas ao Iraque, até um do "Washington Times", que denuncia Paris por emitir passaportes para funcionários iraquianos em fuga após a derrocada de Saddam Hussein.
Entre as outras acusações que o governo da França considera falsas e foram publicadas, aparece a informação de que Paris teria amostras do vírus da varíola e que companhias francesas teriam vendido peças para a infra-estrutura militar iraquiana, violando o embargo da ONU.
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