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A idéia divulgada pelo governo norte-americano de que a democracia florescerá no Oriente Médio depois da deposição do ditador iraquiano Saddam Hussein é implausível, afirmou um grupo de estudos da Grã-Bretanha na terça-feira. "A democratização, apesar de ter avançado marginalmente com a mudança de regime no Iraque, pode ter de esperar ainda um longo período", declarou o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) em um documento.
Conforme o IISS, o processo pode ser estimulado em alguns países do golfo Pérsico, entre os quais a Arábia Saudita e o Irã, mas a população norte-americana não parecia disposta a gastar o montante necessário para incentivar a instalação de democracias "amigáveis" na região depois da queda de Saddam. Uma pista disso são os magros US$ 29 milhões reservados para a Iniciativa de Parceria EUA-Oriente Médio, lançada em dezembro de 2002 para encorajar as vozes de oposição moderada.
No documento, intitulado Strategic Survey 2002/3, o IISS diz que a maior parte dos movimentos de oposição da região é de muçulmanos e que rejeitam a influência norte-americano no mundo islâmico. O ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Marwan Muasher, disse neste mês ser fundamental para o mundo árabe que reformasse seus sistemas políticos e econômicos. Caso não conseguisse fazer isso, corria o risco de ser obrigado a instalar regimes democráticos em um ritmo controlado do exterior, declarou.
Mas, mesmo na Jordânia, onde a monarquia pró-EUA tem que lidar com um sentimento disseminado de repulsa aos norte-americanos entre a população, o ISS diz que o rei Abdullah reprimiu os dissidentes, governou até agora por decreto e dissolveu o Parlamento. Segundo o IISS, a intervenção militar norte-americana no Oriente Médio pode alimentar, ao contrário da paz, ações terroristas, o que levaria governos de países como o Egito, a Jordânia e o Iêmen a reforçar o autoritarismo, não a democracia.
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