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O jornal britânico The Sunday Times publicou hoje uma informação destacando que a França informou regularmente ao regime de Saddam Hussein sobre os encontros entre representantes dos governos europeus e dos Estados Unidos, e sobre os planos de guerra de Washington.
De acordo com o jornal, Paris manteve Saddam informado do desenvolvimento dos planos bélicos norte-americanos, o que pôde ajudar o Iraque na preparação para a guerra.
A informação se baseia em supostos documentos de arquivo do regime de Saddam, que teriam sido encontrados entre os escombros do Ministério de Relações Exteriores do Iraque. Um destes relatórios, que supostamente também aparece entre os que procedem dos "amigos do Iraque" no Ministério francês de Exteriores, adverte sobre a intenção dos Estados Unidos de "relacionar o Iraque com o terrorismo" como argumento para atacar o país árabe.
Outro documento citado pelo jornal é uma carta do ex-ministro iraquiano de Exteriores, Naji Sabri, ao palácio de Saddam Hussein em 2001, informando sobre o relato do embaixador francês em Bagdá sobre um encontro entre o presidente da França, Jacques Chirac e o dos Estados Unidos, George W. Bush. Segundo o texto, o presidente dos Estados Unidos disse a Chirac que "estava cem por cento seguro que Osama bin Laden esteve por trás dos atentados de 11 de setembro e que a resposta de Washington seria decisiva".
Neste mesmo documento, segundo o Sunday Times, está detalhada a posição do Governo norte-americano em relação a Saddam Hussein, pouco antes do Iraque se converter em alvo imediato das represálias dos Estados Unidos. Pouco antes da guerra, a embaixada da França em Washington informou a Bagdá que, em princípio, "os Estados Unidos não tinham intenção de atacar o Iraque, mas que isto mudaria rapidamente". A embaixada francesa também informou sobre a iminência de uma reunião importante na capital americana para discutir a possível guerra.
Nesta reunião, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, se mostrou contrário à intervenção militar no Iraque, enquanto o secretário adjunto de Defesa, Paul Wolfowitz, se declarou a favor de uma contundente operação bélica. Outro relatório citado pela publicação britânica garante que Powell pediria explicações à Rússia por sua cooperação com o Iraque e que perguntaria ao ministro de Exteriores russo como seu país pôde colaborar com um governo que manifestou sua satisfação com os atentados terroristas de 11 de setembro.
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