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Guerra no Iraque
Quarta, 23 de abril de 2003, 20h41 
EUA podem boicotar participação da França na Otan
 
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Os Estados Unidos podem tentar excluir a França de decisões importantes na Otan como conseqüência da oposição do país à guerra liderada pelo país no Iraque. Autoridades norte-americanas têm procurado traçar um meio termo cauteloso entre a irritação com a França pela atitude de vetar todas as resoluções da ONU autorizando a guerra e a necessidade de manter relações com o país, um dos mais antigos aliados dos Estados Unidos.

O secretário de Estado norte-americano Colin Powell, por exemplo, respondeu na terça-feira apenas com um "sim" quando lhe perguntaram se a França sofreria conseqüências. No dia seguinte, Powell conversou com o ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin e, segundo um assessor, os dois riram da repercussão do comentário.

A situação reflete em parte as divisões existentes no governo Bush, com o Pentágono e o vice-presidente Dick Cheney de um lado, tentando encontrar meios de punir a França, e o Departamento de Estado de outro, procurando manter uma relação de trabalho com a França por razões de interesse nacional. Mas o Congresso norte-americano já tomou algumas atitudes hostis, rebatizando, entre outras coisas, as tradicionais "fritas à francesa" (French fries) de "fritas da Liberdade".

Segundo uma fonte do Pentágono, o Departamento de Defesa está pensando em adotar uma "retaliação" contra a França. Uma autoridade do alto escalão do governo norte-americano disse que uma das formas com que a França pode sentir as conseqüências de sua atitude seria dentro da Otan, onde as decisões são geralmente tomadas pelo Conselho do Atlântico Norte (CAN), que reúne todos os 19 membros da aliança ocidental, mas que também podem ser tomadas pelo Comitê de Planejamento de Defesa da Otan, que exclui a França.

Os Estados Unidos também podem diluir a influência da França em um fórum informal de consulta conhecido como "a quadra" que reúne Estados Unidos, Inglaterra, França e Alemanha, ao incluir a participação de outros países, disse outra autoridade que não quis se identificar. O ressentimento dos Estados Unidos em relação ao presidente francês Jacques Chirac é evidente, depois que Chirac deixou claro que iria usar o veto da França no Conselho de Segurança da ONU para bloquear qualquer resolução autorizando explicitamente a guerra no Iraque.

Segundo uma outra autoridade norte-americana, o Departamento de Estado procura convencer outras pessoas no governo de que nenhuma medida drástica deve ser tomada porque os Estados Unidos irão precisar da França. Mas outros integrantes do governo afirmam que o Departamento de Estado acredita ser preciso deixar claro à França de que os Estados Unidos consideraram inaceitável a atitude do país.

"Os Estados Unidos sentem ser preciso transmitir à França que este tipo de comportamento entre parceiros é inaceitável", disse um funcionário do Departamento de Estado. "Este governo acredita que quando se vai tão longe deve haver custos para a França, caso contrário a situação voltará a se repetir".
 

Reuters

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