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Guerra no Iraque
Quarta, 23 de abril de 2003, 16h31 
Americanos não brincam mais com bandeira do Iraque
 
AP
Soldado americano coloca bandeira dos EUA na estátua de Saddam Hussein
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Não há nada que os soldados norte-americanos gostem mais do que agitar a bandeira de estrelas e listras quando conquistam um território, mas no Iraque eles estão aprendendo que essa é uma maneira eficiente de fazer inimigos. Vários incidentes, alguns deles fatais, já mostraram que uma multidão amistosa pode se voltar contra as tropas dos EUA ao primeiro sinal de que elas vão hastear a bandeira de seu país ou arriar a do Iraque. Afinal, destruir retratos de Saddam Hussein é uma coisa, mas mostrar desrespeito pelo pavilhão nacional é outra, bem diferente.

Em Mossul, no norte do país, na semana passada, marines dos EUA mataram pelo menos sete pessoas que participavam de um protesto que começou quando os soldados colocaram uma bandeira norte-americana em um edifício público. Os militares dizem que os marines simplesmente responderam ao fogo de paramilitares infiltrados na multidão, mas oficiais que estavam no local admitem que os soldados exageraram ao verem sinais de inquietação, provocada pelo hasteamento da bandeira dos EUA.

"Foi nosso primeiro erro lá. Aquilo realmente inflamou as pessoas e as coisas se complicaram rapidamente", disse um marine, que pediu anonimato. "É preciso respeitar a bandeira", disse Mohammed Saleh, que presenciou o incidente em Mossul. "Eles dizem que querem deixar nosso país em breve. Como vamos acreditar se eles colocam a bandeira americana?".

Em outro incidente na semana passada, 16 soldados ficaram feridos por uma granada em Mahmudiya, ao sul de Bagdá, e dois iraquianos morreram no tiroteio que se seguiu. Um militar que estava no local disse que o ataque ocorreu minutos depois de as tropas retirarem a bandeira iraquiana de uma delegacia. "Acho que isso detonou toda a confusão".

Ícone americano

Uma das imagens mais conhecidas da Segunda Guerra Mundial é a foto dos marines hasteando a bandeira dos EUA em Iwo Jima, em 1945. Talvez inspiradas nessa cena, tropas dos EUA costumam erguer sua bandeira na primeira oportunidade que têm. Na atual guerra, os comandantes vêm pedindo a seus subordinados que evitem esse gesto, embora muitos não resistam à tentação de colocar a bandeira nos jipes Humvee.

No segundo dia da guerra, os marines ergueram a bandeira no porto de Umm Qasr. Semanas mais tarde, quando uma estátua de Saddam foi derrubada no centro de Bagdá, lá estava ela novamente, na cabeça da escultura. Muitos, porém, estão entendendo que o assunto é politicamente delicado, por lidar com sentimentos nacionalistas.

O capitão Chris McKinney, comandante da 101ª Divisão Aerotransportada, por exemplo, contou que certo dia alguns civis levaram seus homens até um grande arsenal clandestino em Bagdá. Tudo corria bem até que os soldados começaram a baixar as bandeiras iraquianas. A multidão ficou hostil.

"Ela já estava a meio mastro quando vimos sua reação, e voltamos a içá-la. Eles aplaudiram e continuaram nos ajudando", afirmou. "Aprendemos essa. Não se deve tocar a bandeira deles. Não estamos aqui para conquistar. Não estamos em guerra com o povo iraquiano, e respeitamos sua bandeira", afirmou.
 

Reuters

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