| Fabio Gonçalves /O Dia |
 No diretório do PMDB, Garotinho inicia greve de fome ao lado da mulher, Rosinha, e da filha, Clarice |
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O ex-governador Anthony Garotinho, pré-candidato à Presidência pelo PMDB, iniciou neste domingo uma greve de fome em protesto contra as denúncias de irregularidades nas doações de sua campanha. Ele permanecerá na sede do partido, no centro do Rio de Janeiro, acompanhado de equipe médica e dirigentes.
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Garotinho classificou o ato extremo como "último recurso em defesa da verdade que tem sido escamoteada do povo brasileiro".
Garotinho exige, para encerrar o jejum, supervisão internacional das eleições brasileiras e direito de resposta no jornal O Globo, que divulgou as denúncias, e na revista Veja, que o apresentou esta semana como exemplo de político desonesto.
O ex-governador nega as acusações, se diz vítima de "perseguição implacável" e acusa o governo federal de incentivar os veículos de comunicação que o acusam, porque sua candidatura seria "uma ameaça" à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Todas as articulações neste sentido são patrocinadas pelo sistema financeiro, os bancos e a grande mídia, liderada pelas Organizações Globo e pela Revista Veja, com o indisfarçável incentivo do governo Lula", diz a nota divulgada pelo ex-governador sobre a divulgação das denúncias.
Segundo o jornal, o governo do Rio, comandado por Rosinha Matheus, mulher de Garotinho, teria repassado cerca de R$ 120 milhões, sem licitação e sem comprovação de serviços restados, a entidades que declararam ter doado R$ 650 mil para a pré-campanha de Garotinho.
Ao lado da governadora, Rosinha Garotinho, ele anunciou que manterá o protesto até que cessem as "calúnias" da mídia e organismos internacionais passem a acompanhar o processo eleitoral brasileiro.
"Com indisfarçável patrocínio do governo Lula mentem e não me dão o direito de defesa", disse. "Venho sofrendo uma campanha mentirosa e sórdida, tentando desconstruir a minha imagem como administrador, homem público e ridicularizando minhas posições cristãs e éticas".
Garotinho rebateu a denúncia de que teria usado um avião do chefe do crime organizado em Mato Grosso. Segundo ele, o jato foi fretado por uma empresa de táxi aéreo e que a Justiça havia colocado a aeronave à disposição.
O ex-governador disse ainda que a sede do partido ficará aberta para o público, que poderá acompanhar o seu protesto.
Após o anúncio, Garotinho sentou-se num sofá perto de uma porta de vidro, ao alcance das câmeras. Abriu um livro ¿ Maravilhosa graça, do religioso americano Philip Yancey ¿ que revezava com o texto Meu amor pelo Brasil, de sua própria autoria. A leitura foi interrompida por Rosinha, que o abraçou.
Decisão
Segundo interlocutores próximos do candidato, a decisão sobre a greve foi individual, tomada no domingo durante hora do almoço (no cardápio da derradeira refeição, houve somente frutas). Segundo relata o jornal O Globo desta segunda-feira, a família e alguns assessores tentaram demovê-lo da decisão, mas Garotinho se manteve irredutível.
De acordo com esses auxiliares, ele desconfia que as denúncias estão partindo de setores do PMDB que não querem a candidatura própria, e admite ter remotas chances de ser escolhido pelo partido para participar da disputa eleitoral. A renúncia, entretanto, não é cogitada.
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