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Sexta, 28 de abril de 2006, 08h23  Atualizada às 08h46
PT deve aclamar Lula candidato para barrar a oposição
 
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser aclamado hoje candidato à reeleição pelos 1,2 mil delegados presentes ao Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT). O evento é a mais alta instância política do PT, mas Lula só vai confirmar sua candidatura em junho, na convenção prevista pela legislação eleitoral, segundo uma fonte do governo.

Além de lançar a candidatura de Lula, o PT pretende iniciar uma campanha de denúncias contra a oposição, tendo como centro o processo de privatizações ocorrido no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). O partido defende a criação de uma CPI das privatizações no Congresso e lançará um livro com denúncias de corrupção em maio

A chegada de Lula à reunião petista está prevista para as 17h na quadra esportiva do Sindicato dos Bancários, região central de São Paulo. Será o primeiro encontro do presidente com a base de seu partido desde o início da crise política, em maio do ano passado, que determinou a queda da antiga direção do PT, do ex-ministro da casa Civil José Dirceu, e de outros dirigentes ligados ao chamado "mensalão".

Contra a direita
O documento preparado pela direção do PT para ser aprovado pelos delegados da base propõe a reeleição de Lula como um objetivo para "barrar a contra-ofensiva da direita e dos setores neoliberais", que estariam alinhados com "os interesses dos Estados Unidos e do sistema financeiro internacional".

A "hegemonia conservadora" na sociedade brasileira, segundo o documento petista, teria sido fator importante no fraco desempenho do PT nas eleições municipais, na onda de denúncias contra o PT e o governo e até na escolha de Geraldo Alckmin como candidato do PSDB à Presidência, superando José Serra.

"As forças neoliberais querem recuperar o controle do governo federal, retomando a repressão contra os movimentos sociais, a submissão aos interesses norte-americanos, a ideologia e a prática do Estado mínimo e das privatizações", diz o documento. "Frente a isto, o 13º Encontro Nacional estabelece como objetivos táticos centrais: vencer as eleições presidenciais, impedindo que os neoliberais reconquistem o governo federal; e ampliar a força do PT e das forças democráticas e populares, criando uma das condições necessária para realizar a transição do modelo econômico e social", acrescenta o texto.

Reaproximação
Lula recebeu em dezembro a nova executiva nacional do PT, eleita em outubro de 2006. Também mantém encontros frequentes com o presidente do partido, seu ex-ministro (Previdência e Trabalho) Ricardo Berzoini, e com os líderes no Congresso, num processo de reaproximação que terá nesta sexta-feira seu movimento mais importante.

O último encontro nacional do PT foi realizado em Recife, em 2001, selando a aliança do partido com o PL para as eleições presidenciais, consolidando a hegemonia do grupo liderado por Dirceu e dando poderes a Lula para definir a organização de sua campanha, inclusive a polêmica contratação do publicitário Duda Mendonça.

O documento que deve ser aprovado ao final do Encontro, no domingo, faz uma autocrítica das decisões de Recife e de seus desdobramentos ao longo do governo Lula, como o financiamento dos aliados PL, PTB, PP e parte do PMDB. "Temos que reconhecer que nossa postura crítica frente à influência do "poder econômico" não nos livrou de cometer erros importantes," diz o documento, elaborado pela direção do partido.

"Esses erros vão desde a contratação, pela direção nacional do PT, de 20 milhões de reais em shows, apenas para a campanha de 2004, até a promiscuidade com personagens que funcionavam como "caixas de campanha" para o PSDB," acrescenta o texto, numa referência ao publicitário Marcos Valério, pivô do escândalo. Mesmo apontando os "erros" do passado e condenado a prática do "caixa dois," o documento não chega a propor uma nova política de financiamento eleitoral.
 

Reuters

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