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O setor industrial quer ver o país crescer nos quatro anos
do novo mandato do presidente Lula, dentro dos parâmetros anunciados pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e pelo próprio
presidente antes das eleições. Na reta final da campanha, o governo anunciou que estima um crescimento de 5% em 2006, com projeção de
índices maiores até 2010. De acordo com o economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard
Pereira, a base para conseguir um cenário favorável ao crescimento é
reduzir as taxas de juros. "A sinalização do governo de que vamos
crescer dependerá do declínio da taxa de juros. E isso depende só do
governo", afirmou. O Iedi reúne um grupo de 45 empresários industriais
brasileiros que desenvolve estudos sobre a indústria e o
desenvolvimento. Hoje, a taxa de juros básica da
economia brasileira, a Selic (que serve de parâmetro para indexar os
títulos públicos e, por extensão, todas as operações do mercado
financeiro) está cotada a 13,75%. Para Pereira, é preciso que a taxa
Selic se equipare ao nível de taxas internacionais, na média em 5%. "Tirando a inflação, temos uma taxa real em torno
de 10%, que ainda é elevada diante de uma inflação esperada de 3% ao ano",
estimou. Já para a Confederação Nacional da
Indústria (CNI), o crescimento prometido pelo presidente
Lula pode ser alcançado com a redução nos gastos públicos, com a
execução das reformas fiscal e tributária e com a definição de marcos
regulatórios para atração de capital privado, além da redução da
burocracia e do investimento em educação. O
presidente da CNI, Armando Monteiro, disse que o setor vê como
prioridade a questão fiscal. "O governo precisa assumir uma nova
postura na área fiscal: controlar, racionalizar e até mesmo cortar
gastos, para que o setor público recupere sua capacidade de
investimento e para que o setor privado seja desonerado gradualmente
com a redução da carga tributária. Essa é uma questão fundamental para
o país poder crescer", definiu. Na visão de Monteiro, ao solucionar
problemas fiscais, o governo terá dinheiro em caixa para incrementar a
infra-estrutura de transporte, energia, telecomunicações e saneamento,
necessária para atrair novos investimentos. A burocracia, lembrou, é sinônimo de ineficiência e de aumento
de custos, e gera um entrave para o crescimento. "Um ataque
frontal à burocracia tem o poder de acelerar todo o processo produtivo,
da obtenção de insumo à entrega dos produtos", observou. Outra questão
que deve ser trabalhada pelo governo, na opinião de Monteiro, é o
estímulo à inovação para que a indústria se torne mais competitiva,
consiga reduzir custos, além de aumentar a oferta de bens e serviços. Mas
o economista do Iedi, Edgard Pereira, insiste na redução da taxa de juros. "É uma atitude básica, sozinha não é condição
suficiente para aumentar o crescimento, mas é necessária para fazer o
país crescer, antes de qualquer outra medida", enfatizou. Na avaliação dele, essa queda vai liber recursos para deslanchar alguns investimentos necessários para impulsionar setores como o de logística (portos, aeroportos e ferrovias), saneamento básico e energia. E terá um efeito positivo sobre o mercado de câmbio: "Quando se tem taxa de juros mais baixa, diminui o espaço de arbitragem da moeda brasileira". Para o economista, também a carga tributária é pesada e a reforma, necessária, além da previdenciária: "Num cenário econômico de crescimento propiciado pela queda na taxa de juros, fica mais fácil resolver as pendências nas áreas tributária e previdenciária". O presidente da CNI disse ainda que os empresários vão cobrar do governo sua parte no estímulo ao
crescimento e ao desenvolvimento sustentado. "Capital político, o novo
governo acaba de conquistar nas urnas. Os empresários e o Brasil têm
pressa. A indústria será uma força atuante no impulso e na cobrança
para que o Brasil se transforme, nos próximos quatro anos, em uma
economia de alto crescimento", concluiu Monteiro.
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