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Segunda, 30 de outubro de 2006, 15h35 
Garcia diz que Lula buscará crescimento de 5%
 
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dará continuidade às políticas econômicas para controlar a inflação e elevar o crescimento de média atual de 3% anuais para 5%, disse nesta segunda-feira à estatal venezuelana VTV o coordenador da campanha pela reeleição do presidente, Marco Aurélio Garcia. "Nosso crescimento no período foi modesto, da ordem de 3% e acreditamos que o crescimento da economia brasileira pode, junto com a distribuição da renda, subir para níveis de 5%", disse Garcia numa entrevista à VTV.

Em seu segundo mandato, depois de conseguir se reeleger com 60,8% dos votos, Lula defenderá "o aumento do crescimento da economia brasileira, a distribuição de renda, o aprofundamento da democracia e a soberania nacional".

Garcia disse que Lula venceu Geraldo Alckmin porque seu rival tentava voltar "à receita de inspiração conservadora e neoliberal e inclusive continuar as privatizações".

O presidente reeleito atuou ao mesmo tempo com disciplina e conseguiu "estabilizar a inflação num patamar baixíssimo, o que beneficiou os trabalhadores, aumentando consideravelmente seu poder de compra", argumentou o assessor de Lula. A meta do governo é uma inflação de 4,5% para este ano e para o próximo.

Garcia afirmou que, no primeiro mandato, "conseguimos criar 7,5 milhões de empregos, com o processo de distribuição de renda. Cerca de 20% das pessoas que estavam na pobreza absoluta saíram e passaram para a classe média", disse, anunciando uma "ênfase muito grande na educação".

Disse que a política econômica de Lula lhe permitiu "aumentar a presença comercial no mundo, com um comércio exterior de quase 135 bilhões de dólares" O presidente Lula "teve muita humildade, numa campanha eleitoral é preciso ter muita humildade (...) os governos cometem erros e numa campanha sempre se abre a possibilidade de reconhecer os erros e de aprender com o povo quais as correções que são necessárias", destacou.

Garcia disse que Lula intensificará as iniciativas de integração, como a Comunidade Sul-americana de Nações (CSN).

"Na política externa vamos acelerar nossas iniciativas a favor da integração sul-americana e melhorar o clima interno do Mercosul, beneficiando os países mais assimétricos que têm uma economia mais frágil", disse. "Vamos tentar fazer com que as relações entre os países sul-americanos sejam mais equitativas".

Em seu segundo mandato, Lula realizará "um esforço muito forte junto com Venezuela, Argentina, Chile, Peru e todos outros países do continente, para construir o grande sonho da Comunidade Sul-americana, para avançar na integração social com políticas sociais e energéticas comuns e uma institucionalidade na região", disse o estrategista da campanha de Lula.

Garcia comemorou "o início dos acordos que tivemos no sábado com a Bolívia em matéria energética", quando a Petrobras, principal investidora estrangeira na Bolívia, aceitou continuar investindo no gás boliviano depois de desentendimentos causados pela nacionalização dos hidrocarbonetos.

A CSN planejou sua segunda cúpula para dezembro na Bolívia e será integrada por Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

Disse que "o fortalecimento do Mercosul dá prioridade" à CSN, para que os países da região tenham "uma inserção internacional mais competitiva e soberana".

Criticou o adversário de Lula, Geraldo Alckmin, que "tinha uma posição de mais proximidade com as grandes potências do mundo". Ele enfatizou que a aproximação da Venezuela do Brasil "é de natureza estratégica". "Temos responsabilidades como países importantes da região no processo de integração sul-americana", concluiu.


 

AFP

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