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Segunda, 30 de outubro de 2006, 13h12  Atualizada às 15h54
Presidente Lula saiu fortelecido da eleição, diz cientista político
 
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu fortalecido das eleições. Apesar de algumas crises importantes enfrentadas a partir de 2005, ele conseguiu se proteger politicamente e manter a rédea da condução do governo, a despeito dos abalos sofridos. A avaliação é do cientista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj), Fabiano Santos.

"Do ponto de vista eleitoral numérico, a vitória foi consagradora e, do ponto de vista político, foi bastante contundente. Isso não quer dizer que a tarefa se torna mais fácil, pelo contrário, há um desafio importante de compor um governo mais equilibrado", disse Santos em entrevista ao Programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.

Segundo o professor, para conduzir bem um entendimento no Congresso Nacional e não repetir erros recentes, é preciso costurar uma negociação com o PMDB que não é fácil, na avaliação dele, e ainda partir para uma tarefa maior que é a de reorganização e fortalecimento do PT.

Santos acredita que o partido não saiu totalmente quebrado da eleição e teve um bom desempenho, mas também passou por um desgaste. "O Lula vai terminar o mandato em 2010 e a proposta política tem que permanecer. A política é feita não apenas de pessoas, mas fundamentalmente de instituições. O legado institucional do Lula é o PT, então, a tarefa maior ao longo do processo do ponto de vista político e institucional é a reconstrução do Partido dos Trabalhadores", comentou.

Para promover o entendimento com os partidos políticos, em particular com o PMDB, o professor afirmou que será necessária uma ponderação adequada do peso que cada um oferece para o governo no Congresso.

"Tem que estar expressa na participação desse partido no ministério, seja no ponto de vista numérico, seja de importância dos ministérios concedidos. Essa regra não foi seguida no primeiro mandato, com as conseqüências que percebemos. Acho que agora isso vai ser objetivo, pelo menos em uma tentativa", analisou.

Santos entende que a definição da agenda política com prioridades para o país depende de um entendimento entre os partidos e no interior do próprio PT, mas ponderou que é necessário que embora não seja fácil é preciso que o presidente Lula encare de frente essa tarefa. Quanto à reforma política, o cientista afirmou que envolve uma gama muito grande de variáveis e por isso é preciso avaliar a amplitude do que se deseja adotar no país.

Sobre a perda de votos do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, no segundo turno da eleição presidencial, ele disse que embora seja um fato raro não é inédito na história recente do país. Para ele a candidatura da oposição foi favorecida no fim do primeiro turno pelo noticiário sobre a suposta compra por integrantes da campanha petista der um dossiê contra políticos tucanos.

"Teve um noticiário muito pesado, foi um bombardeio em 15 dias e a candidatura do PSDB foi inflada com esse episódio. Depois que isso passou e a agenda normal da campanha voltou a dar o tom das eleições".
 

Agência Brasil