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Segunda, 30 de outubro de 2006, 12h36 
Era pós-Sarney não se consolidará sem entendimento
 
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Passada a festa pela vitória de Jackson Lago (PDT) que varou a madrugada na "Ilha Rebelde", apelido que São Luís ganhou pelas greves nos anos 1950, os maranhenses começaram a perceber que a era pós-Sarney não se consolidará sem o entendimento com o clã que governa o Maranhão há 40 anos.

No Estado de pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - 0,543 na escala Gini que vai até 1 - o consenso era a necessidade da união dos grupos políticos em torno de Jackson Lago, da aproximação com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que fez campanha pela pefelista Roseana Sarney, e, sobretudo, do armistício com o clã.

"Tem de ter transformação depois de 40 anos na mão dos Sarney, mas muita gente em Brasília é deles. Tem que conversar, senão nós vamos comer o pão que o diabo amassou", afirmou o advogado Jovino Guimarães, 37 anos, que pela primeira vez na vida assistiu a alternância de poder no Palácio dos Leões.

Olhos marejados, o dentista Anóbio Branco, 56 anos, foi acometido por uma forte gagueira emocional enquanto comemorava a vitória de Jackson na noite de domingo, na praça Maria Aragão, um espaço cultural cujo nome homenageia uma médica comunista. "Não sei o que estou sentindo. Quer dizer, estou meio doido de alegria. É muito tempo até chegar hoje. Tem que governar tranquilo, senão o José Sarney vai pegar no nosso pé. Conversar com ele é importante, mas sem se esquecer que nós vamos é acabar de vez com essa oligarquia", disse ele, filiado ao PT.

Virada
Fundador do PDT ao lado de Leonel Brizola (1922-2004), Jackson Lago recebeu 66 por cento dos votos contra 33 por cento de Roseana na capital, da qual foi prefeito por três vezes. A "Frente de Libertação do Maranhão" somou 51,8 por cento dos votos dos quase 4 milhões de eleitores do Estado.

Roseana, que sofreu a virada depois de vencer no primeiro turno com 47 por cento dos eleitores contra 34 por cento de Jackson, reconheceu a derrota com "tranquilidade" em sua residência no refinado bairro de Calhau, ainda no domingo. "O povo é soberano, isso é que é importante. Vou continuar ajudando o Maranhão porque aqui é minha terra, é minha paixão", disse a senadora, que está ameaçada de expulsão do PFL por ter apoiado a candidatura de Lula à Presidência. O petista, que ampliou em dez pontos para 85 por cento dos votos o seu desempenho no Estado, não conseguiu transferir votos para Roseana.

De acordo com um interlocutor, o ex-presidente e também senador José Sarney (PMDB-AP) ficou "profundamente desapontado" com o resultado. Foi ele quem pediu a presença de Lula no palanque da filha na semana retrasada em um comício na cidade de Timon.

Para o taxista João Gaudério, 37 anos, "Sarney esperava ser que nem o Pelé e se aposentar no auge. O Sarney chateado pode atrapalhar muito o Maranhão e precisa ser chamado para uma conversa porque está mais fraco".

Arquitetura
Eleito com ajuda da dinastia Sarney e rompido com o clã, o atual governador José Reinaldo Tavares (PSB) se disse aliviado com a derrota do grupo político. Para muitos partidários de Jackson, o governador foi o grande engenheiro da vitória de domingo por ter tirado a máquina estadual das mãos dos antigos aliados.

A vitória de Jackson é comparável à conquista do governador eleito Jaques Wagner (PT), que interrompeu o Carlismo na Bahia. O petista derrotou o governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), candidato do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), outro velho "coronel" da política.

Durante o discurso da vitória, Jackson disse que vai unir o Estado em torno da educação, anunciou a instituição do orçamento participativo e lembrou Brizola. "É o meu grande líder ainda, minha referência", afirmou o governador eleito. Em 1972, Jackson foi de São Luis ao Uruguai de carro para visitar o exilado Brizola. Na volta, acidentou-se, perdeu a primeira esposa e ficou em coma por meses. "Estar aqui para viver este momento é a maior vitória".
 

Reuters

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