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Maranhão
Domingo, 29 de outubro de 2006, 23h42  Atualizada às 07h14
Jackson põe fim à supremacia de 40 anos dos Sarney
 
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"É o fim de uma noite que durava quarenta anos". A declaração, nas palavras de partidários do governador eleito do Maranhão Jackson Lago (PDT), simboliza a vitória dele neste domingo sobre Roseana Sarney (PFL) para o governo do Estado, que tem alguns dos piores indicadores sociais do Brasil.

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Na única virada entre as 10 eleições estaduais de segundo turno, o médico pedetista de 72 anos venceu a senadora e filha do ex-presidente José Sarney (PMDB-PA) com 51,82 por cento dos votos válidos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, após 99,99% da apuração concluída. Roseana ficou com 48,18%.

Lago foi três vezes prefeito de São Luís e é adversário da tradicional família desde os anos 1960.

"O quadro é o mesmo no Maranhão e na Bahia. Caíram os dois últimos bastiões do coronelismo político", disse Lago a jornalistas na sede da sua produtora de comunicação, referindo-se à derrota dos grupos de Sarney e do ex-governador baiano Antonio Carlos Magalhães.

O candidato da "Frente de Libertação do Maranhão" - composta inicialmente por PDT-PPS-PAN e que depois recebeu adesões de membros do PT, PSDB e partidos menores -, Lago teve como cabos eleitorais o desgaste do grupo de Sarney e as divergências do atual governador José Reinaldo Tavares com o ex-presidente, seu antigo aliado.

"Essa vitória é resultado de luta. Mas há consciência de que o mais difícil começa agora", afirmou. Os três senadores do Maranhão - Roseana, João Alberto (PMDB) e o recém-eleito Epitácio Cafeteira (PTB) - fazem parte do grupo de Sarney.

Apesar disso, Lago previu tranqüilidade nas relações com Brasília e, em especial, com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que declarou apoio à pefelista. "Apoiei Lula várias vezes e ele também me apoiou", afirmou.

A derrota de Roseana, depois de ter vencido o primeiro turno com 47% dos votos válidos contra 34% de Jackson, significa a queda do último bastião das longas dinastias políticas no Nordeste.

Lago sucede no cargo uma lista de governadores levados ao Palácio dos Leões por José Sarney: o atual governador José Reinaldo Tavares, Edison Lobão, Roseana Sarney, Epitácio Cafeteira, Luiz Rocha, João Castelo e o próprio Sarney, que inaugurou o longo domínio em 1965.

Naquela época, Sarney - então deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN) - derrotou o chamado vitorinismo, a oligarquia de Vitorino Freire que foi hegemônica no Estado por 20 anos.

Jackson Lago nasceu em Pedreiras, interior do Maranhão, e formou-se em Medicina. Ele também foi professor na Faculdade de Medicina do Maranhão.

O pedetista é casado com a médica Clay Lago e tem três filhos, além de vários netos. Jackson foi três vezes prefeito de São Luís, todas pelo PDT, e, em 2002, deixou o cargo para disputar e perder a eleição para o governo estadual.

Festa em São Luís
Concentrados na praça Maria Aragão, no centro da capital, milhares de partidários de Jackson o receberam pouco depois das 22 horas.

No evento, o jingle do pedetista - um frenético "é 12" -, foi berrado mais de 20 vezes em 10 segundos, em referência ao número do candidato.

Também foram cantados slogans anti-Sarney, como "Xô Rosengana, acabou a oligarquia" e "Libertamos o Maranhão".

Na festa, após fogos de artifício, o governador eleito reiterou em discurso a libertação dos maranhenses. "O Maranhão não tem mais dono, é um Estado livre, não é mais de uma só família", declarou Lago.
 

Reuters

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