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Rio Grande do Sul
Domingo, 29 de outubro de 2006, 22h50 
Yeda Crusius é a 1a mulher a chegar ao governo gaúcho
 
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A deputada federal Yeda Crusius (PSDB) venceu o ex-ministro Olívio Dutra (PT) na eleição deste domingo e será a próxima governadora do Rio Grande do Sul. É a primeira vez que o PSDB estará à frente do Executivo gaúcho e que o comando do Estado será de responsabilidade de uma mulher.

"O resultado da eleição vai além do número dos votos e honra a tradição do Rio Grande do Sul. Agora a tarefa é construir a unidade para enfrentar os desafios", disse Yeda em uma entrevista à imprensa no comitê de campanha, logo após ter a vitória oficializada.

A tucana liderou a preferência dos eleitores desde a abertura das urnas e venceu na maior parte do Estado. Com a apuração concluída, Yeda recebeu 53,94 por cento dos votos válidos, contra 46,06 por cento de Dutra.

O resultado confirmou o favoritismo de Yeda Crusius, apontado em todas as pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. A tendência de crescimento de Dutra (PT) e de redução de mais de 20 por cento na vantagem da tucana, detectada em três levantamentos sucessivos, chegou a animar a militância petista, mas não foi ratificada pelas urnas.

No primeiro turno, Yeda Crusius surpreendeu e o resultado da votação contrariou as pesquisas eleitorais que apontavam o governador e candidato à reeleição pelo PMDB, Germano Rigotto, em primeiro na preferência, seguido por Olívio Dutra.

No dia 1o de outubro, a tucana havia vencido a disputa com 32,9 por cento do eleitorado, contra 27,39 por cento dos votos obtidos por Olívio Dutra. Rigotto ficou em terceiro, com 27,12 por cento dos votos, e acabou fora da disputa.

Yeda ressaltou aos jornalistas que pretende manter uma boa relação com o governo federal.

"A eleição terminou, e o embate eleitoral terminou", disse ela. "Não tenho dúvidas de que teremos uma relação civilizada com o governo Lula."

SUCESSO TUCANO

Enquanto o PSDB pode comemorar a eleição da governadora como a maior conquista do partido no Estado, os petistas amargam mais uma derrota entre o eleitorado gaúcho.

A sucessão de fracassos incluiu a derrota de Tarso Genro na disputa estadual de 2002 e o fim de um ciclo de quatro administrações municipais em Porto Alegre, em 2004.

Além de enfrentar dificuldades com as denúncias de corrupção que atingiram o partido, a estratégia petista de tentar ligar a adversária às privatizações não garantiu a ampliação da vantagem entre os eleitores da capital, reserva que serviria como uma possível compensação da desvantagem no interior.

Mesmo com a neutralidade declarada de Germano Rigotto, Yeda Crusius conseguiu aglutinar o apoio de praticamente todos os adversários do primeiro turno, enquanto Olívio Dutra contou apenas com a adesão do PSB.

Durante a campanha eleitoral, a crise econômica do Estado foi o centro do debate. A tucana enfatizou seu desejo de implantar um "novo jeito de governar" e rebateu as críticas do adversário, a quem acusou de ser representante de uma velha forma de fazer política e ser responsável pela perda de investimentos, como a instalação de uma fábrica da Ford.

Dutra tentou demonstrar uma suposta vantagem de sua proximidade com o governo federal como facilidade para buscar políticas capazes de superar os problemas e retomar o ritmo de crescimento econômico do Estado obtido em seu governo.

Yeda Crusius é paulistana. Tem 62 anos, foi ministra do Planejamento no governo de Itamar Franco (1993) e está no terceiro mandato como deputada federal pelo PSDB.
 

Reuters

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