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Rio Grande do Sul
Domingo, 29 de outubro de 2006, 19h38 
Confira o perfil de Yeda Crusius
 
Bruno Maestrini/Terra
Yeda foi ministra do Planejamento no governo Itamar Franco
Yeda foi ministra do Planejamento no governo Itamar Franco
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Eloqüente e determinada, a economista e deputada federal Yeda Rorato Crusius, 62 anos, entra para a história do Rio Grande do Sul como a primeira mulher a assumir o governo do Estado, depois de uma virada surpreendente no primeiro turno das eleições estaduais, quando subiu do terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto para a primeira posição.

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Paulista, a governadora eleita chegou a Porto Alegre aos 26 anos, após casar-se com o também economista Carlos Augusto Crusius, um gaúcho natural de Passo Fundo. Durante a campanha, não faltaram insinuações de que uma paulista não poderia governar o Estado, mas, apesar dos esforços dos adversários, o rótulo de forasteira não colou.

Os quase quarenta anos no Rio Grande do Sul, onde teve um casal de filhos e quatro netos, deixaram Yeda tão firme e aguerrida como uma verdadeira gaúcha, dizem amigos e aliados.

"Ela realmente pegou nossas raízes. É uma gaúcha por opção", disse à Reuters a professora Maria Helena Gonzales, 55 anos, amiga de longa data da governadora eleita e ex-companheira de partidas de vôlei, esporte que Yeda praticou regularmente até os 50 anos, quando foi obrigada a deixar as quadras por causa de um problema no joelho.

"Ela é uma líder nata. É muito objetiva. Já dava para ver nas quadras. Ela tinha um passe perfeito, estratégico, e um corte preciso", comentou Maria Helena, que confia plenamente na capacidade de Yeda de tirar o Rio Grande do Sul da crise financeira em que mergulhou na última década.

Gosto pela política
Filha de um representante comercial e de uma dona de casa, Yeda nasceu na capital paulista e graduou-se em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1966. Decidida a ingressar na carreira acadêmica, conseguiu uma bolsa de estudos para um mestrado em Economia na Universidade de Vanderbilt, em Nashville (EUA). Lá conheceu o futuro marido, que também fazia mestrado em economia.

Os dois retornaram ao Brasil em 1970 e passaram a dar aulas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde Yeda tornou-se a primeira mulher a dirigir a Faculdade de Ciências Econômicas.

Os comentários de Yeda na mídia local sobre economia popular, nos anos 1980, a tornaram conhecida. Em 1993, por indicação do senador gaúcho Pedro Simon (PMDB), ela assumiu o cargo de ministra do Planejamento no governo Itamar Franco.

Apesar do entusiasmo com o novo desafio, Yeda permaneceu apenas quatro meses no cargo. Choques internos com o então ministro da Fazenda Eliseu Resende fizeram com que deixasse a pasta.

Yeda foi nomeada, então, para o Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Mas a passagem pelo governo havia deixado o gosto pela política. Em 1995, ela elege-se deputada federal pelo PSDB, sendo reconduzida ao cargo em 1998 e em 2002.

A determinação e os conhecimentos em economia tornaram Yeda a principal liderança tucana no Rio Grande do Sul. Ela disputou a Prefeitura de Porto Alegre por duas vezes, em 1996 e 2000, ficando em segundo lugar na primeira tentativa (22 por cento dos votos) e em terceiro na segunda (15 por cento dos votos).

Em 2006, no início da campanha para o governo estadual, poucos acreditavam que Yeda pudesse derrotar o governador Germano Rigotto (PMDB) e o ex-governador Olívio Dutra, apontados como favoritos. Pesquisas de opinião mostravam que uma boa parcela do eleitorado a considerava arrogante, uma impressão, segundo os amigos, completamente equivocada.

"Yeda é uma mulher alta, com os ombros eretos. É a postura dela que faz com que pensem assim", disse a amiga Maria Helena.

Impressão errada ou não, o forte de Yeda, segundo os analistas, não é o carisma. Cientistas políticos atribuem a surpreendente vitória da candidata nestas eleições à insatisfação dos gaúchos com lideranças já conhecidas como Rigotto e Dutra.

"Havia um certo cansaço em relação às alternativas existentes. O eleitorado queria alguma renovação", disse o cientista político gaúcho Flávio Silveira, diretor do Instituto de Pesquisa Meta.

Segundo ele, Yeda também foi bastante beneficiada pelo forte sentimento anti-PT que surgiu no Estado após o governo de Olívio Dutra.
 

Reuters

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