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Eleições 2006
Domingo, 29 de outubro de 2006, 15h42  Atualizada às 17h50
Índios votam em Parelheiros
 
Eugênio Augusto Brito
Direto de São Paulo
 
Eugenio Britto/Terra
A índia Eliana, 17 anos, levou o filho ao local de votação
A índia Eliana, 17 anos, levou o filho ao local de votação
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Encravada em uma área de proteção ambiental a 55 km do centro de São Paulo, a escola Joaquim Álvares Cruz recebe os votos de 699 eleitores do distrito de Barragem, ligado ao bairro de Parelheiros, inclusive de índios moradores de aldeias da região, no extremo sul da capital. É o caso de Eliana Silva, 17 anos, que tem vergonha de divulgar o nome indígena, mas achou importante participar da escolha do presidente pela primeira vez. "Acho que é a minha obrigação, até porque precisamos de alguém que dê mais oportunidade e trabalho para as pessoas".

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Mãe de dois filhos pequenos, um deles de colo, Eliana andou por cerca de meia hora da aldeia Tenondeporá até o local de votação. Já o índio Nelson Karaí- Mirim levou cerca de uma hora e meia entre a Aldeia Crucutú e a escola.

Paranaense morando em São Paulo desde 1998, Nelson diz ter votado em outras três eleições além desta. A dificuldade desta vez, no entanto, está em "saber quem tem valor entre estes políticos". "Nunca vi nenhum deles fazendo campanha perto da aldeia para ver a nossa situação e o que a gente passa", disse Nelson, que é responsável pelo sistema de saneamento básico em sua aldeia. Ele só fez uma exigência para a reportagem: não ser fotografado de frente. Depois de votar, Nelson pegou sua bicicleta e retornou para a aldeia.

O coordenador das duas sessões eleitorais de Barragem, Antonio Balbino, explica que as duas aldeias da região abrigam cerca de 2,2 mil índios, mas que poucos votam no local. "A maioria do nosso eleitorado é de gente simples, morador pobre aqui da região. Temos cerca de dez ou 15 índios que votam, mas não temos o número exato, oficialmente, até porque, não fazemos diferenciação. São eleitores como os outros", disse Balbino.

Ausência
Balbino prefere destacar o fato de que a sessão foi pouco procurada até o começo da tarde deste domingo. "No primeiro turno, neste horário, já havíamos encerrado a votação. Não sei se o eleitor está achando que por ter votado no primeiro turno, não precisaria votar no segundo" comenta o coordenador de Barragem.
 

Redação Terra